Fonte: Correio Braziliense
O forte crescimento do Brasil em contraste ao atoleiro no qual se meteram os Estados Unidos e a Europa está provocando uma migração crescente de trabalhadores estrangeiros para o Brasil – sobretudo, norte-americanos. A maioria interessada em ocupar as vagas qualificadas, com altos salários, que as empresas brasileiras têm dificuldades para preencher. Diante desse quadro, em 2011, pela primeira vez, as remessas de estrangeiros que trabalham no Brasil para os seus paises de origem superaram as enviadas para cá por brasileiros empregados no exterior. As contas são do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Foram US$ 2,1 bilhões contra US$ 2 bilhões.
Esse movimento chamou a atenção do Fundo Multilateral de Investimentos (MIF, na sigla em inglês), ligado ao BID, por ser o único caso na América Latina e no Caribe. A inversão ocorreu porque as transferências realizadas pelos brasileiros recuaram 5% em relação a 2010, quando o desemprego nos EUA e na Europa disparou. Temendo as dificuldades que estavam por vir, muitos decidiram voltar para o Brasil, onde estão sendo criados, em média, 2 milhões de vagas com carteira assinada por ano. O retorno dos brasileiros veio acompanhado dos desempregados norte-americanos e europeus, que veem no Brasil um porto seguro nesse momento de crise tão aguda em seus países.
Levantamento do Banco Central mostra que apenas os trabalhadores norte-americanos remeteram US$ 291 milhões para os EUA no ano passado – mais de 10% do total das transferências. “Além do desemprego lá fora, muitas multinacionais preferem ter um executivo expatriado trabalhando no Brasil do que contratar um aqui, onde a mão de obra qualificada custa caro”, afirma o diretor de Negócios Internacionais do Banco do Brasil, Admilson Monteiro Garcia.
Consumidor
A trajetória recente do norte-americano Michael Nicklas, 43 anos, espelha o aumento do interesse de estrangeiros pelo Brasil. Após ter trabalhado como executivo da área de tecnologia nos EUA, ele mudou-se para o Rio de Janeiro em 2009. E não se arrepende. “Logo vi o potencial do Brasil. Há muitas pessoas criando softwares e querendo consumir inovações”, diz. Ele conta que conhece muitos estrangeiros que, assim com ele, vieram para o Brasil em busca de oportunidades. “Aqui falta capital humano na área tecnológica, porque, quando a bolha da internet estourou, em 2001, os jovens se afastaram desse ramo. Perdeu-se uma geração de potenciais inovadores no país. Agora, tem muita gente vindo de fora em busca de chances no Brasil, onde há espaço para crescer.”
À frente da multinacional norte-americana especializada em limpeza comercial JAN-PRO, Bernard Jeger diz que o crescimento econômico do Brasil é muito atraente para os estrangeiros. “O mercado consumidor cresceu. Agora, as empresas querem investir no Brasil”, afirma.






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