Fonte: Jornal de Brasília
Quase 60% dos brasilienses avaliam o desempenho do Governo do Distrito Federal (GDF) na área de segurança com notas entre zero e três. O pior desempenho da segurança pública é apontado por moradores de áreas consideradas mais perigosas, nomeadas pelo estudo como ex-assentamentos, que englobam as cidades de Varjão, Paranoá, Estrutural, São Sebastião, Samambaia, entre outras. Ainda assim, a sensação de insegurança permeia a vida de toda a população do DF. Em todas as regiões administrativas, a maioria das respostas graduou o desempenho da pior forma. Um terço de todos os entrevistados deram nota zero á segurança do DF.
Os números fazer parte de uma pesquisa feita pelo Instituto O&P Brasil, entre 22 e 25 de março deste ano, entrevistou pessoas de diferentes faixas etárias, renda familiar, sexo e região. Segundo o estudo, apenas 14,7% dos entrevistados deram nota superior a 5 – numa escala de zero a dez – para a segurança no DF.
O maior percentual de insatisfação está entre aqueles com Ensino Fundamental incompleto – 43,1% deram nota zero e ninguém avaliou o GDF com a maior pontuação. Quanto maior a faixa etária e menor a renda familiar maior é a insatisfação.
Para o bancário aposentado Trajano Silvestre, 68 anos, a melhor situação financeira também facilita na hora de se proteger. Morador do Lago Sul, ele admite que utiliza de todos os artifícios possíveis que possam impedir ou dificultar ao máximo a entrada de um criminoso em sua residência. Trajano acredita que o maior problema não está na falta de policiamento, mas de medidas mais severas para o enfrentamento ao crime, inclusive com o endurecimento das penas. “Vemos todos os dias pessoas serem condenadas a dez anos de cadeia, mas cumprirem somente dois. Isso é impunidade. O único jeito é a gente tentar se defender como pode”, argumenta. O aposentado afirma que possui um revólver e não pensará duas vezes se precisar utilizá- lo para intimidar um assaltante.
CRACK
Gilvanete Fernandes, 40 anos, e a filha Jamile Fernandes, 18, são moradoras de Planaltina e dizem que se sentem inseguras tanto onde moram quanto no Plano Piloto. “Passar nas passarelas subterrâneas é um verdadeiro perigo. Os usuários de crack estão em todos os lugares e não conseguimos evitar o contato. Eles não têm nada a perder”, acredita a vendedora Gilvanete.
Para a antropóloga e especialista em segurança e violência Lia Zanata, a baixa avaliação dos brasilienses quanto ao desempenho do GDF na promoção de segurança pública pode estar ligada ao aumento do uso da droga no DF. “Se compararmos com outras metrópoles, de fato a segurança ou a sensação pode ser melhor aqui. Acontece que os números estão aumentando e os acontecimentos com pessoas próximas também. O crescente número de assaltos está correlacionado ao consumo do crack, que está mais visível na cidade e afeta a sensação mais rapidamente”, analisa a antropóloga.
A grande sensação de insegurança que atinge as classes altas e médias teria motivação diferente entreas classes mais baixas. As últimas normalmente veem as ações acontecendo a uma distância próxima e o aumento da criminalidade atinge diretamente a sensação. Já as classes mais altas precisam de um evento para que se sintam alvo da ação de criminosos e a sensação de insegurança ficar pungente, como a morte do servidor do Banco Central na última sexta-feira, na 413 Norte.






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