MÁRCIO FALCÃO – Folha de São Paulo – DE BRASÍLIA
Assessor da Secretaria de Relações Institucionais, Olavo Noleto conversou com Wladimir Garcez, ex-presidente da Câmara de Goiânia (GO), para tratar de um possível apoio do senador Demóstenes Torres (Sem partido-GO) à candidatura Dilma Rousseff em 2010.
Essa foi a versão apresentada por Noleto ao governo para explicar a suposta ligação com o grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de explorar jogo ilegal.
Garcez é considerado o número dois do grupo de Cachoeira e foi um dos presos pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que desarticulou quadrilha que explorava máquinas de caça-níquel em quatro Estados e no Distrito Federal.
O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) sustentou que o servidor do Planalto não conhece Cachoeira e que o ex-vereador procurou o assessor. Noleto é petista histórico de Goiás e desde 2003 está no governo, tendo passado pela Casa Civil, do ex-ministro José Dirceu, além da secretaria.
“Depois [o apoio] não se efetivou até porque o DEM lançou na época como vice o Índio da Costa. Ele nos assegurou que o único contato que ele tinha tido com o ex-presidente da Câmara tinha sido dessa natureza. Nenhum outro contato. Não conhecia o Carlinhos Cachoeira”. Segundo o ministro, foi o
Carvalho afirmou que o Planalto não teme “respingo” no governo da crise envolvendo parlamentares e o grupo de Cachoeira e classificou o episódio de Noleto como “página virada”.
O ministro disse que a decisão sobre a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a relação dos congressistas com o grupo do empresário deve ser tomada por senadores e deputados.
O governo foi informado pela imprensa sobre a suposta ligação de Noleto com o grupo. Carvalho cobrou explicações. Ele também prestou esclarecimento à ministra Ideli Salvatti (Relações Insitucionais), a quem é subordinado. A presidente Dilma Rousseff foi informada sobre o caso.
“Para nós, esse assunto é página virada. A gente estranhou muito essa notícia, completamente sem fundamento. Isso não existe, isso não é real. Nós estamos muito seguros. O Olavo é uma pessoa muito séria, conhecemos o passado dele, então não temos nenhum receio de nenhum respingo aqui”.
Sobre a criação de uma CPI, o ministro disse que não há motivo para temer uma investigação. “Só acho que a gente nunca tem quem ter medo da verdade. Acho que não é porque teve um deputado do PT que teve contato com esse pessoal que a gente deva deixar de fazer as investigações. Mas eu não vejo razão nenhuma para temer”, afirmou.
Hoje, a Secretaria de Relações Institucionais divulgou nota afirmando que são “infundadas” informações de que ele deixaria o cargo e que “não existe qualquer indício de irregularidade em relação à sua conduta que possa justificar seu afastamento”.
NOTA
Em nota, Noleto negou relação com o empresário. “Jamais conversei, conheci ou fui apresentado a Carlinhos Cachoeira”.
Ele disse ainda que conheceu Garcez em 2002, quando trabalhava na Prefeitura de Goiânia e que, como subchefe de assuntos federativos, manteve “relação política institucional com todos os governadores, prefeitos e atores políticos do país, especialmente com os do meu Estado de Goiás”.






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