GABRIELA GUERREIRO, Folha de São Paulo
O Conselho de Ética do Senado vai encaminhar ofício ao ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) para alertar sobre os riscos à segurança do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Como Cachoeira divide a cela com outros presos, o conselho teme que o empresário possa correr risco de vida por ser uma espécie de “arquivo vivo” de denúncias contra autoridades e parlamentares.
No ofício, o conselho vai anexar pronunciamento do senador Pedro Simon (PMDB-RS) feito na manhã desta quinta em sessão do colegiado com o alerta sobre a possibilidade de Cachoeira ser assassinado na prisão.
“Tem muita gente com medo do senhor Cachoeira. Deixar ele com outras pessoas, daqui a pouco ele aparece morto. O Conselho de Ética tem que tomar providências para dar garantias de vida ao senhor Cachoeira”, disse Simon.
O presidente do conselho, senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), afirmou que o órgão tem interesse em que o empresário “seja mantido com vida” por ser peça fundamental nas investigações contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) –que responde a processo no conselho pela suspeita de beneficiar o empresário.
“Vou pegar o pronunciamento do senador Simon e enviar. Não temos autoridade de entrar no aspecto policial, mas todos concordam que isso é importante”, afirmou.
Cachoeira foi transferido ontem da penitenciária de segurança máxima de Mossoró (RN) para Brasília. Ele chegou em voo comercial com escala em Fortaleza. Segundo a Secretaria de Segurança do Distrito Federal, ele está no Centro de Detenção Provisória da Papuda, em uma área destinada a presos da Polícia Federal.
Cachoeira ficará à disposição da Justiça por tempo indeterminado. No presídio de Mossoró, Cachoeira ficava 22 horas trancado em uma cela sozinho sem ver ninguém. Tinha direito a apenas duas horas de sol por dia e conversava com as visitas por meio de um interfone sem ter contato físico.
De acordo com familiares, ele emagreceu 16 kg, teve o cabelo raspado e está deprimido. Chegou a passar mal e precisou ser atendido por médicos. Sua defesa alegou que Cachoeira não representa risco à sociedade para ficar detido em uma unidade de segurança máxima.
Investigações da PF, por meio das operações Vegas e Monte Carlo sobre jogos de azar, indicam o envolvimento de agentes públicos e privados com o empresário. Há suspeitas de que empresários e políticos receberam dinheiro de Cachoeira para promover tráfico de influência a fim de, entre outras ações, aprovar propostas, no Congresso, que beneficiasse o setor.






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