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jun 04

Negócios: Dadá quis montar a “Satiagraha Ltda.”, empresa de grampos

  • 4 de junho de 2012
  • Notícias

João Bosco Rabello  – O Estado de São Paulo

Numa das conversas interceptadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal, o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, fala a um interlocutor sobre a empresa de grampos e espionagem que pretendia montar, chamada “Satiagraha”. Um dos sócios de Dadá seria um ex-agente que foi expulso da Polícia Militar, depois de flagrado vendendo bilhetes aéreos de deputados federais. “Uma bobeira”, diz Dadá.

“A ideia foi minha”, conta o araponga. “Eu e mais outro colega aqui, o “Evaldo”, que é policial amigo meu. Foi expulso da PM por causa de uma bobeira, negócio de venda de passagem dos parlamentares. Ele foi expulso da corporação, chamei ele”, relata Dadá a um interlocutor no Rio de Janeiro, contatado para buscar investidores para o negócio.

O interlocutor de Dadá pergunta se eles poderiam usar o nome “Satiagraha”.

O araponga responde que consultou os arquivos da Receita Federal, e verificou apenas um “ferro-velho com esse nome”, mas nada “na área de inteligência”. E conclui, empolgado: “Aí a gente ia colocar!”

Dadá ficou conhecido nacionalmente em 2008, por causa da Operação Satiagraha da Polícia Federal, que investigou negócios do banqueiro Daniel Dantas e levou à prisão dele. Na época, Dadá foi apontado como uma das pessoas que teria participado de forma irregular da operação, recrutado pelo então delegado, hoje deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP).

No grampo da Monte Carlo, Dadá diz que precisa de recursos para comprar o “equipamento de varredura eletrônica”, que custa mais de 200 mil dólares. Ele afirma que o alvo da empresa seriam contratos com tribunais superiores, autarquias e estatais do governo federal. “Todos os tribunais têm contrato com empresas de varredura, teria de arrumar um investidor pra ganhar um contrato desse”, diz Dadá. “O nosso pessoal aqui (no Rio de Janeiro) tá com muita presença na política, mas ninguém com dinheiro”, responde o interlocutor.

Dadá foi um dos 35 presos, junto com o contraventor Carlos Cachoeira, na Operação Monte Carlo, deflagrada no dia 29 de fevereiro, para desmantelar a quadrilha liderada pelo contraventor, que explorava máquinas caça-níqueis em Goiás e no entorno do Distrito Federal. Convocado para depor na CPI do Cachoeira, Dadá compareceu à comissão no dia 24 de maio, mas invocou o direito constitucional de ficar calado.

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