Fonte: Jornal do Brasil
Um dos principais trunfos da gestão do governador Sérgio Cabral, motivo, inclusive, de sua fácil reeleição para o cargo em 2010, a pacificação da cidade através de um bem sucedido plano de ocupação das principais comunidades dominadas por traficantes e facções criminosas parece estar sendo colocada em xeque.
Apesar de todo o reconhecimento dos novos tempos que os cariocas vivem, hoje se assiste ao Rio ser ocupado nas suas principais vias e viadutos, em especial na Zona Sul, por tropas militares, com fardamento próprio para combate, como se o inimigo estivesse prestes a mostrar suas garras. Há até patrulhamento na costa marítima, como se fosse possível um ataque de surpresa por embarcações adversárias.
Fica apenas uma questão sem resposta: quem é o inimigo tão temido?
Dificilmente, nesta quadra da vida da cidade, que mesmo antes da implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) assistiu a diversas festas e shows reunindo multidões sem qualquer registro de violência, pode alguém imaginar que as outrora temidas facções criminosas fossem atacar os participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, no Riocentro.
Como o Brasil tem por tradição a convivência pacífica e amistosa entre pessoas de credos religiosos, posições ideológicas, origens raciais e condições sociais das mais diversas, dificilmente se justificaria todo este aparato com a alegação de possíveis ataques terroristas. Até porque, estes, se estiverem sendo planejados, não serão evitados com a mera presença policial, mas sim com um trabalho de investigação que incorpore Inteligência e métodos mais científicos do que ostensivos.
Todo este aparato, assim como a decretação de três dias de feriado municipal entre os dias 20 e 22, quando se espera a presença dos 130 chefes de estado na cidade, transforma-se em um verdadeiro atestado da incapacidade da cidade em receber grandes eventos.
Os feriados decretados são simplesmente uma confissão, do próprio prefeito Eduardo Paes, de que a cidade não se preparou para grandes eventos, por mais que estivessem programados há anos. Mostra que somos incapazes de garantir o trânsito das autoridades sem afetar a vida do cidadão comum.
Para recebermos os 130 chefes de Estado, somos obrigados a mandar para casa milhares de crianças, suspendendo as aulas em escolas até de bairros longínquos e distantes do Riocentro, para não afetar o locomoção das comitivas.
Toda esta “logística” só demonstra que ainda não nos preparamos a contento para lidar com grandes eventos sem sermos obrigados a mudar rotinas, afetando a vida dos cidadãos.






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