Durante meia hora, o presidente do STF depõe diante de delegados e diz que suspeitava dos grampos desde maio do ano passado
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, disse ontem à Polícia Federal (PF) que suspeita ter sido vítima de grampo pela primeira vez em maio de 2007. Ele foi ouvido no início da noite, em seu gabinete, pelos delegados William Morad e Rômulo Berredo, que estão à frente das investigações sobre as denúncias de que Mendes teve uma conversa com o senador Demostenes Torres (DEM-GO) grampeada ilegalmente. A PF abriu inquérito para apurar o caso.
Durante cerca de meia hora, o presidente do Supremo também confirmou o teor do diálogo que teve com o senador, publicado pela revista Veja. Ele disse que chegou a ver, em papel, a transcrição da conversa, mas que não ouviu a gravação do trecho que teria sido grampeado. Mendes também repassou aos delegados detalhes, como o horário do telefonema e quem fez a ligação que teria sido gravada irregularmente.
O ministro contou aos delegados que as primeiras suspeitas de grampo surgiram durante o inquérito da Operação Navalha, que investigou esquema de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público e resultou na prisão de políticos e empresários. Mendes relatou trecho de um habeas corpus concedido ao então deputado distrital Pedro Passos (PMDB), que foi preso durante a ação da polícia. Na ocasião, o Supremo confirmou o habeas corpus a Passos, em decisão unânime.
Conversa
Foi então que vieram as primeiras desconfianças. O ministro disse que, em 18 de maio de 2007, conversou com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a respeito do caso. No mesmo dia, prosseguiu o ministro, recebeu um telefonema de uma jornalista que perguntou detalhes da conversa que ele teve com o procurador-geral. No diálogo, a jornalista disse ao presidente do STF que fontes na PF comentaram que ele iria libertar todos os presos durante a Operação Navalha. “Fica então a indagação: estávamos, o procurador-geral da República e eu, a ser monitorados por essas tais fontes?”, indagou Mendes aos colegas, na época do julgamento.
Ontem, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Carlos Ayres Britto, disse que está preocupado com um possível descontrole de grampos no país. “Eu pessoalmente fico preocupado com o descontrole. Não estou preocupado só se alguém estava no comando, mas também preocupado se ninguém estava no comando. Se ninguém estava no comando, qualquer um pode fazer a interceptação ilícita. Isso vulnerabiliza o cidadão, o indivíduo e cada autoridade brasileira”, disse o ministro, que também integra o STF.






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