Agentes federais monitoram supostos envolvidos no esquema, mas que não renderam nada. Até o nome do neto de Jânio Quadros apareceu nas escutas com autorização judicial, porém as apurações não avançaram
Lúcio Vaz
Enviado especial
São Paulo – Durante quase seis meses, a Polícia Federal desconfiou que o suposto doleiro Kurt Pickel trabalhasse também para a empreiteira OAS, prestando serviços ilegais, como crime contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. As suspeitas surgiram em abril do ano passado e foram definitivamente afastadas
Em abril, nas escutas feitas nas linhas de Pickel, a Polícia Federal identificou um telefone utilizado por Jailson, um suposto contato da OAS. O número foi grampeado, mas sem resultado. Após algumas semanas, a polícia percebeu que o aparelho estava com outra pessoa. Um informante da polícia dentro da OAS esclareceu que o nome do funcionário era, na verdade, Joilson Santos Góes. “Acreditamos ter identificado a pessoa apontada pelo denunciante anônimo como sendo o responsável por articular o esquema de lavagem de dinheiro dentro da construtora OAS”, diz um relatório parcial da PF.

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Foram grampeados vários telefones de propriedade de Joilson Góes, mas todos estavam em nome de parentes do funcionário. A polícia pediu à Justiça, então, o monitoramento de um telefone celular que também pertencia a Góes. Em 28 de agosto, porém, a própria PF informa ao juiz Fausto De Sanctis que “não há interesse na manutenção da interceptação do numeral (…) , pois durante o período de monitoramento Joilson não trouxe nenhuma suspeita na participação nas atividades ilícitas com operação de câmbio”. O monitoramento foi encerrado em 1º de setembro do ano passado.
Suíça
Logo no início das investigações, os agentes federais passaram a monitorar o telefone do advogado Marcos Vilarinho. O advogado comenta numa das ligações que Janinho vai ao seu escritório para tratar “daquele negócio do avô dele”. O relatório da PF comenta: “Janinho é provavelmente Jânio Quadros Neto e o assunto, os depósitos bancários que o ex-presidente da República e ex-prefeito de São Paulo teria no exterior”. Depois, Vilarinho contata Pickel para saber se esse tem novidades e chega a citar a Suíça. “Conforme o relatório de 12-004/08, Vilarinho e Kurt estão trabalhando no sentido de localizar 20 milhões em moeda não identificada procurados por herdeiros do falecido político”, diz o relatório, no seu volume 2.
No volume 6, o documento cita o contato de Pickel com o advogado suíço Patrice Le Houelleur: “O advogado pergunta se há novidades sobre o repatriamento dos recursos de Jânio da Suíça. Pickel responde que não havia novidade e que, aparentemente, os interessados, Jânio Quadros Neto e Vilarinho, não mais demonstraram muito empenho nesse assunto”. O tema sumiu da investigação.
Remessa
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal estudam solicitar a colaboração de autoridades financeiras do Uruguai e do Peru para apurar os métodos utilizados por funcionários da empreiteira Camargo Corrêa para enviar ilegalmente recursos ao exterior, disse neste domingo uma fonte da PF. De acordo com relatório de inteligência da Castelo de Areia, que prendeu quatro diretores e duas secretárias da construtora na semana passada, foi verificada uma remessa de US$ 800 mil a uma empresa de fachada que teria operações nos dois países.

A operação: Relatório parcial da Polícia Federal aponta contato do advogado Marcos Vilarinho






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