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abr 01

PF: AÇÃO NÃO TRATAVA DE CAIXA 2 – Correio Braziliense

  • 1 de abril de 2009
  • Notícias

Mesmo com referências a doações ilegais a partidos no inquérito, direção da Polícia Federal diz, em nota, que investigação sobre diretores da Camargo Corrêa se resumiu a crimes financeiros

 

Edson Luiz e Mirella D´Elia



A Polícia Federal vai confrontar todas as doações de campanha feitas pela Camargo Corrêa com os registros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para averiguar se havia pagamentos ilegais a partidos políticos. A partir do levantamento, se ficarem constatadas irregularidades, um novo inquérito será aberto. A Operação Castelo de Areia, desencadeada há uma semana, apurou, segundo a PF, apenas crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Ontem, o diretor da corporação, Luiz Fernando Corrêa, descartou que esteja investigando siglas partidárias e afirmou que cabe à Justiça Federal em São Paulo explicar os vazamentos de informações do caso.

“No dia da deflagração da operação, a Polícia Federal não fez qualquer referência a outros crimes que não financeiros ou lavagem de dinheiro em suas manifestações”, afirmou a direção da PF, por meio de nota, ressaltando que a corporação se ateve ao objeto da investigação. Nos relatórios preliminares da investigação, vários partidos políticos foram citados pelos delegados, com exceção do PT, PV e PTB. No comunicado, a instituição diz que trabalha pautada na técnica e que não investiga pessoas, mas fatos.


Segundo a direção da Polícia Federal, o assunto financiamento de campanhas políticas surgiu nas escutas telefônicas feitas em 2008, durante o período eleitoral. A PF explicou que em sua representação à Justiça, o delegado responsável pelo inquérito, José Alberto Iegas, ressaltou que as conversas não falam de um ou outro partido, mas de vários deles, sem indícios de favorecimento dirigido.


“Além disso, devemos mencionar que em consulta à prestação de contas divulgada pelo TSE na internet pudemos notar que várias empresas do grupo CC (Camargo Corrêa) realizaram doações registradas”, afirmou o Iegas em seu relatório encaminhado ao juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Fausto De Sanctis. “Portanto, para podermos comprovar documentalmente eventual financiamento ilícito de campanhas políticas, faz mister oficiar o TSE a fim de confrontar as doações mencionadas nos áudios captados por aquelas efetivamente registradas”, acrescentou o delegado. Após os levantamentos, a PF deverá abrir um novo inquérito, caso sejam detectadas irregularidades nas contas.


O ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, também entrou na defesa da PF, de que a ação não foi eleitoreira. “Em operação da polícia ninguém interfere. O fato de ser eleitoreira ou não depende das partes contrariadas”, disse o ministro. No final da tarde, Luiz Fernando disse que a PF não divulgou nenhuma informação sobre o caso e que cabe a De Sanctis explicar o vazamento. Para ele, atribuir atuação tendenciosa e com motivação partidária à PF é uma “injustiça a tudo que ela tem feito ao Brasil”. “A Polícia Federal não se moveu, não praticou nenhum ato motivado por questões partidárias ou políticas”, declarou, refutando acusações feitas por setores da oposição de que a PF teria omitido doações feitas ao PT, PTB e PV.


Ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, voltou a defendeu a criação de um órgão de controle externo das atividades policiais. “Já estamos cansados, temos um elenco, um dicionário de abusos, sabemos mais ou menos de cor e salteado, de A a Z, o que se pode fazer em série de abusos”, disparou. Mendes avaliou como insuficiente e “algo lítero-poético-recreativo” o controle da PF, a cargo do Ministério Público atualmente. “Eles mesmos reconhecem isso”, disse. Ele sugeriu a criação de um órgão independente, comandado por um juiz.

 

 

Depoimento adiado

Marcado para ocorrer hoje, o depoimento do delegado Protógenes Queiroz à CPI dos Grampos foi remarcado para a próxima quarta-feira. O presidente da comissão, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), adiou a ida de Protógenes para falar sobre supostos abusos na Operação Satiagraha, porque pretende ouvi-lo em data próxima à de Paulo Lacerda, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência. Nesta quarta, a CPI toma o depoimento de Walter Guerra, escrivão da PF que ajudou Protógenes nas investigações.



Defesa da operação

A procurador da República em São Paulo, Karen Louise Jeanette Kahn, que atuou na Operação Castelo de Areia, afirmou ontem que as supostas doações para campanhas políticas não fundamentaram os pedidos de prisões. Em nota, a representante do Ministério Público lamentou a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região de liberar os detidos. Segundo ela, o conjunto probatório não foi levado em sua integridade ao conhecimento da Corte.

Na nota, Karen disse que as investigações tinham como principais alvos crimes financeiros e de lavagem de dinheiro. “Entretanto, a descoberta, nas buscas e apreensões, de eventuais elementos que venham indicar a suposta prática de crimes eleitorais serão, oportunamente e no final de análise de toda a documentação apreendida, enviadas ao Ministério Público competente”, afirmou Karin. Ela ressaltou no comunicado que não houve irregularidade na ação. “Não pareceu ao MPF como caracterizada a ocorrência de qualquer excesso.” (EL)



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