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abr 01

PEDOFILIA – UM ABUSO CONTRA A INOCÊNCIA – Por Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 1 de abril de 2009
  • Notícias

 

Podemos citar vários crimes que atentam contra a liberdade, mas nenhum outro é tão nefasto como àquele que viola a inocência de nossas crianças. Tal atrocidade é percebida em todas as faixas sociais e ataca diretamente a maior de todas as instituições – a família, que sofre demais quando sente na pele a mágoa imposta a um de seus filhos.

 

Além de sofrer a dor da perda da inocência, vê as marcas da crueldade imposta no corpo, ainda em formação, pelo resto de suas vidas. O criminoso, ao contrário, muitas vezes se vangloria a cada aquisição, inclusive divulgando fotos e filmagens na rede mundial de computadores, mostrando ao mundo suas vitórias. E a cada criança conquistada, impõe mais tristeza às famílias que até então acreditavam na pureza natural da infância. Os sites e provedores são obrigados por lei a informarem às autoridades sobre qualquer movimentação nesse sentido, mas ainda estamos longe de ver o dia em que tal absurdo pare de acontecer.

 

Atualmente com os avanços tecnológicos, a polícia consegue identificar e prender inúmeros agressores, mas parece que não adianta, pois dia após dia, outros são identificados praticando os mesmos crimes, por mais que esforços sejam despendidos na busca dos facínoras. Parece que como pragas, continuam a se multiplicar.

 

As últimas pesquisas realizadas pelo Governo, e também por Organizações não Governamentais demonstram que essa violência aumenta e está presente também nas casas de família, pois alguns pais e padrastos fazem aumentar os números da leviandade familiar. E essa tragédia acontece de forma similar nas casas pobres, na classe média e também em famílias ricas.

 

Na maioria dos casos, o crime ocorre contra meninas, que se calam por medo, diante as ameaças recebidas. Primeiramente padrastos que as molestam, traindo as esposas dentro de casa. Em segundo lugar está o pai molestador como sendo o autor da desgraça, colocando muitas vezes um neto na própria filha. E ninguém conhece o motivo da violência, mas o fato é que existe e em muitos casos, meninos também são vítimas.

 

A quem recorrer? Como conseguir ajuda? Quais são os motivos? Essas são as perguntas mais freqüentes que precisam de resposta para diminuir a dor de muita gente inocente, que somente deu atenção ao problema, quando sentiu o trauma de crianças mais próximas.

 

O mundo inteiro conheceu a triste história de uma menina austríaca que foi obrigada a se submeter às cruéis vontades do pai, que transformou o lar em uma espécie de cárcere subterrâneo, onde inclusive nasceram seus filhos também netos, que além dos maus tratos eram privados até de atendimento médico.

 

Recentemente o pai carrasco divulgou para a imprensa, a intenção de escrever um livro de memórias, em que seria narrada toda essa história, repleta de sofrimento e crueldade. Certamente será mais um campeão de vendas, movido pela curiosidade mórbida crescente no mundo capitalista.

 

Apesar da divulgação de imagens de alguns episódios que viraram caso de polícia, ainda não percebemos ações preventivas eficazes, por parte do Estado. Ações preventivas que pudessem evitar que o crime ocorresse.

 

As polícias ainda andam em círculo quando se fala em prevenção. Inclusive por não contar com policiais preparados com especialidade nesse tipo de crime. Falta muita estrutura para o policial poder desenvolver um trabalho de qualidade, de forma a tentar chegar antes do criminoso. Poderia haver um maior intercâmbio entre polícias de outros países, com a natural troca de experiências que seriam adequadas a cada realidade.

 

Existem também, apesar de parecer um absurdo, casos em que as próprias mães são coniventes. Fazem vista grossa, querendo acreditar estarem imunes a esse tipo de problema. Cuidado! Nunca é demais e deve-se encarar seriamente esse desvio de conduta social e se anteceder aos fatos para salvar suas crianças. É preciso denunciar qualquer suspeita de violência de qualquer natureza.

 

A família tem que ter o cuidado, sempre, de orientar os filhos com aqueles velhos conceitos caretas de não falar com estranhos, por exemplo. Essa simples atitude pode salvar muitas vidas. Não é possível que condutas tradicionalmente perigosas caiam de moda. Com o advento da modernidade e da rapidez com que as informações circulam, tanto os crimes, quanto a capacidade de resposta da polícia aumentaram muito, mas é preciso denunciar e estar atento.

 

Os pais não podem deixar de conhecer a lista de amizades de seus filhos e muito menos seus contatos e encontros. Sejam pessoais ou virtuais, pois a curiosidade juvenil aliada a vontade de superar desafios, pode levar a traumas e até mesmo a morte. Confiar nos seus filhos não quer dizer que deve abandoná-los e deixá-los à deriva da própria sorte.

 

Acompanhe sua vida escolar, conheça seus relacionamentos, amigos e encontros. Não deixe de visitar os sites por onde seu filho navega. Faça parte dos sites, participe do que é proposto. Assim, verá como é fácil, partindo de pequenos detalhes, se aproximar virtualmente de alguém e ganhar sua confiança. Com esse pequeno exercício, perceberá como é fácil seduzir pela internet e entenderá melhor esses mecanismos para melhor combatê-los. Qualquer um pode ser seduzido, Uns por estarem cheios de energia, outros por viverem em uma família desestruturada, outros até por carregarem traumas familiares. Enfim, todos sabem que existem vírus de computador, mas somente são propagados por descuido dos usuários.

 

(*) Cláudio Avelar é presidente do sindicato dos policiais federais no DF, bacharel em Direito e Administração, especialista em Direito Público.

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