Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
MARINA MELLO
Direto de Brasília
O banqueiro Daniel Dantas negou, nesta quinta-feira, em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas, ter tido qualquer relação com o filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz da Silva.
Dantas rebatia a informação de que ele teria procurado o filho do presidente com o objetivo de obter influência dentro do governo. O banqueiro disse ainda não acreditar que existia interesse de Lula na Operação Satiagraha, como teria sido informado pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
“Não sou sócio do filho do presidente da República. Não é razoável que, se o presidente quer saber o que acontece com seu filho, precise de 100 agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência)”, disse.
O banqueiro voltou a acusar o delegado de fazer “ilações” contra ele. “O senhor Protógenes tem lançado ilações em muitas direções, algumas delas incoerentes. (…) Ali tem uma metralhadora giratória que gira em 270º”, afirmou. “Não gira em 360º porque ele tira alguns do foco.”
Dantas ainda rechaçou a possibilidade de ter algum interesse em projetos do governo como, por exemplo, a obra de transposição do Rio São Francisco. “Isso é um delírio. Eu não tenho nada a ver com o São Francisco, não tenho nada a ver com obras, eu não sei de onde ele (Protógenes) vem com essas ilações”, afirmou.
De acordo com Dantas, a única tese defendida por Protógenes que ele concorda é quando o delegado diz que não poderia obter todo o suporte que teve para fazer a Satiagraha se não existisse um interesse por trás disso tudo. “Ele está certo num ponto: não é razoável que ele tivesse conseguido arregimentar todos esses recursos sem nenhum apoio”, disse.
O banqueiro apresentou ainda, durante o depoimento, um laudo das escutas feito pelo perito Ricardo Molina que comprovaria uma armação feita por Protógenes. Segundo Dantas, a armação foi feita em um vídeo que mostra uma tentativa de suborno que levou à sua condenação a 10 anos de prisão.
O controlador do grupo Opportunity afirmou também que existia uma preocupação grande de sua defesa no decorrer das investigações da Operação Satiagraha porque, segundo ele, alguns juízes de primeira instância poderiam ser corrompidos.
Ele disse aos deputados que a Operação Chacal – deflagrada em 2004 pela PF para investigar a suposta espionagem da empresa Kroll contra a Telecom Itália – foi marcada por apreensões ilegais.
O banqueiro depõe sob a proteção de um habeas-corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, STF, garantindo que ele não possa ser preso e tenha o direito de ficar calado.
Operação SatiagrahaA Operação Satiagraha, deflagrada no dia 8 de julho de 2008, foi comandada por Protógenes Queiroz, reuniu quase 300 agentes da Polícia Federal e prendeu, além de Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Durante a Satiagraha, Dantas chegou a ter sua prisão decretada por duas vezes e foi levado à carceragem da PF. Dois habeas-corpus concedidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, durante o recesso do Poder Judiciário, no entanto, o colocaram em liberdade.
Protógenes foi afastado da operação após as suspeitas de que ele teria vazado informações das investigações. O delegado responde a um inquérito por isso. Na época, a PF afirmou que o delegado deixava a operação para realizar um curso. Em novembro, ao retomar suas atividades, Protógenes foi informado de seu afastamento também da Diretoria de Inteligência da PF. Depois disso, o delegado afirmou que entraria com um pedido de indenização contra a PF, mas disse que não tinha pressa para mover a ação.
Protógenes é investigado também pela participação em um comício eleitoral na cidade de Poços de Caldas (MG), em setembro de 2008, motivo pelo qual foi afastado da PF. De acordo com o diretor-geral da corporação, servidores públicos da ativa não podem se envolver em campanhas políticas.






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