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abr 23

CRIMES – REFLEXO DA DURA REALIDADE – Por Cláudio Avelar

  • 23 de abril de 2009
  • Notícias

O Distrito Federal consegue, mais uma vez, ser campeão. Parabéns às autoridades, pois no DF o crime do seqüestro relâmpago cresce mais do que em qualquer outra unidade da federação. Não adianta construir postos comunitários de policiamento integrado, assim como não adianta comprar um monte de novas viaturas se falta adequação do trabalho à realidade moderna do criminoso.

Percebemos que apesar das discussões sociológicas e dos avanços democráticos, as autoridades públicas insistem em confundir polícia com segurança pública. Na verdade polícia é apenas uma das ferramentas da segurança pública e que somente começa a atuar quando todas as outras instituições falharam.

Quando a família, escola, igreja e saúde, além de todos os programas sociais falham é que a polícia chega para reprimir o crime já ocorrido. Não adianta pensar que a polícia pode, na realidade de hoje, participar do processo de prevenção de forma satisfatória. A polícia somente possui estrutura para prender depois do cometimento do delito, pois falar de prevenção é puro sonho, já que o governo não consegue investir de forma satisfatória em projetos sociais, nem tampouco estruturar o policiamento de forma adequada.

Falta emprego, falta qualificação profissional, falta assistência médica de qualidade, faltam investimentos direcionados de forma a retirar as crianças da rua, inserindo-as em projetos que visem a inclusão social com acesso à cidadania.

O resultado da ausência do estado não podia ser diferente: aumento da criminalidade. Nesse caótico quadro de falta de segurança pública, as famílias são obrigadas a conviverem com as desgraças que circulam direta ou indiretamente pelo mundo das drogas. Essas substâncias em alguns momentos são causa, mas em outros, conseqüência. São problemas adjacentes que fomentam o aumento da criminalidade e em especial no caso do Distrito Federal, o seqüestro relâmpago, modalidade criminosa que reúne, no mesmo tipo penal, o roubo, a lesão corporal, a extorsão, a privação de liberdade e infelizmente em muitos casos, a violência sexual.

Os caixas eletrônicos fora dos bancos, a ausência de policiamento ostensivo, o efetivo insuficiente, aliados à falta de programas de prevenção inteligentes, dificultam o trabalho do policial e facilitam as ações criminosas. E é nesse momento que o cidadão desprotegido aparece a mercê dos aproveitadores.

É um ciclo imperfeito, mas que tem origem no momento em que o jovem não recebe opções de escolha. A falta de atividades direcionadas à integração comunitária, o aproximam do mundo das drogas, que o recebem de portas abertas, mas que depois de iniciados, não acham a saída.

A partir do instante em que se vicia, necessitando de dinheiro, ocorre um enorme número de conflitos sociais que variam da prostituição ao cometimento de delitos. No início, pequenos, e no final, do tamanho da imaginação do leitor.

Para obter os recursos necessários, praticam furtos, roubos e ultimamente pelas facilidades que encontram, aderiram a mais nova modalidade delituosa, o sequestro relâmpago. Então se deve refletir acerca dos motivos do aumento do número de casos registrados. Por que é o crime que mais cresce na capital federal? A resposta natural seria obviamente a facilidade em que o criminoso encontra para atuar. Além da negligência da vítima, o criminoso que está sempre prestes a atacar, não vendo a presença de policiais, comete o crime sem que ninguém o impeça.

Leis brandas, policiais desmotivados e uma série de benefícios legais oferecidos aos delinqüentes, permitem facilidade até aos presos, que sem o mínimo de acompanhamento, recebem indultos, saem da cadeia, praticam crimes e voltam ao presídio como se nada tivesse acontecido.

A partir dessas reflexões podemos imaginar um mundo melhor e mais seguro, mas é imperioso que certas atitudes sejam adotadas, de modo a garantir pelo menos a esperança em um mundo mais justo.

 

*CLÁUDIO AVELAR é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, bacharel em Direito e Administração, especialista em Direito Público.

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