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jul 27

NÃO ANDA TÃO FÁCIL ASSIM – Carta Capital

  • 27 de julho de 2009
  • Notícias

É extensa, capilar e influente a rede de proteção ao banqueiro Daniel Dantas. Mas ela continua incapaz de fornecer a máxima segurança aos “olhos verdes sensuais”, como se autointitulou em um e-mail o dono do Opportunity. Apesar de ter embolsado uma fortuna na fusão da Brasil Telecom com a Oi e ainda flanar tranquilamente pelas ruas, não é melhor a situação de Dantas agora do que era seis meses atrás. Ao contrário. O cerco continua a se fechar e não será surpresa, dada a consistência da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF), que ele seja novamente condenado antes que Papai Noel desça as chaminés. O banqueiro, recorde-se, já pegou dez anos de cadeia por suborno a um policial federal durante as investigações da Operação Satiagraha. Condenação que responde em liberdade.

Além de aceitar a denúncia do MP e tornar Dantas e mais doze asseclas em réus por crimes de lavagem de dinheiro e contra o sistema financeiro, o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, desferiu duros golpes na parte mais sensível do orelhudo, o bolso. De Sanctis determinou a dissolução de um dos fundos de investimento do Opportunity e o depósito da quantia investida em uma conta da Caixa Econômica Federal até o fim do processo. Segundo o magistrado, a medida teve o objetivo de proteger os valores das turbulências da crise financeira mundial, caso o montante, ao fim do processo judicial, seja confiscado definitivamente pela Justiça.

Na quarta-feira 22, os advogados de Dantas conseguiram suspender a dissolução por medida liminar na segunda instância, mas ainda cabe recurso da Procuradoria. O patrimônio do fundo é de cerca de 900 milhões de reais e, de acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, mais da metade do dinheiro pertence a Dantas e a outros réus do processo. Só DD teria 32,55% das cotas do fundo.

O juiz determinou ainda o sequestro de 27 fazendas e cerca de 450 mil cabeças de gados que o banqueiro possui no Pará. Segundo a Polícia Federal, existem fortes indícios de que a atividade agropecuária do Opportunity sirva para a lavagem de dinheiro.

“Os indícios de autoria e materialidade delitivas que permitiram o recebimento da denúncia afiguram-se, neste momento, suficientes à concessão de medida cautelar, porquanto há elementos bastantes de que os denunciados teriam, em tese, adquirido os bens relacionados por meio de supostos desvios de valores, em processo típico de lavagem de recursos ilícitos”, anotou De Sanctis em sua decisão.

Por último, o magistrado seguiu a recomendação dos procuradores e orientou a abertura de processos para investigar a fusão da Brasil Telecom com a Oi e a participação do ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh no lobby a favor do banqueiro. Green-halgh advogava para Dantas e, além de buscar informações no Planalto sobre investigações contra o cliente, tentou aproximar a turma do Opportunity da governadora Ana Júlia Carepa, do Pará.

Em uma conversa legalmente gravada pela Polícia Federal, o petista classificava o banqueiro de um “cara legal”, isso após o episódio em que Dantas repassou à revista Veja um falso dossiê com supostas contas no exterior de Lula e vários ministros do Estado, com clara intenção de derrubar o presidente da República. Por esse crime, DD acabou indiciado pela Polícia Federal por calúnia.

Parênteses: Ninguém no PT ainda teve coragem de perguntar a Greenhalgh, histórico militante petista, por que ele aceitou defender um sujeito que tentou derrubar o presidente que o partido levou treze anos para eleger.

Até o fechamento desta edição, os advogados do Opportunity não haviam conseguido suspender o sequestro das fazendas. Ante a decisão do juiz De Sanctis, a defesa do banqueiro repisou a tese de que a Satiagraha foi uma “fraude”.

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