O ministro da Justiça, Tarso Genro, garantiu nesta terça-feira que o vazamento dos diálogos do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), com familiares a respeito de contratações de parentes em vagas do Senado, não partiu da Polícia Federal (PF). Segundo o ministro, como o alvo das escutas não eram as denúncias de nepotismo, a divulgação desses trechos das conversas seria política, com o objetivo de desviar o foco das investigações.
– Se é ilegal ou não, se fere ou não o decoro, é uma coisa que o parlamento vai investigar. Mas não é objeto do inquérito investigar se uma pessoa está orientando para fazer uma contratação livre de uma pessoa que é relacionada com um parente. A divulgação foi feita por alguém interessado na controvérsia política, e nada tem a ver com a PF – disse Genro.
Para o ministro, uma decisão do Supremo Tribunal Federal ( STF) que abriu o acesso dos investigados aos inquéritos possibilita que os próprios advogados vazem informações que possam ajudar na defesa dos acusados.
– Então o segredo de Justiça no Brasil hoje é uma instituição meramente formal. Na prática ela não vai funcionar mais, como está ocorrendo – argumentou.
Genro acrescentou a PF poderá ser investigada, caso existam denúncias de que o vazamento partiu da instituição. Ele lembrou que um projeto de lei que limita as escutas e pune os vazamentos foi enviado pelo ministério ao Congresso há um ano, mas ainda não foi votado.
– Se o Congresso votar rapidamente esta lei, seguramente 80% a 90% das escutas que estão sendo divulgadas não seriam mais – completou.






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