Os principais bancos do Brasil fecharam um acordo com a polícia federal para prestar informações sobre todos os casos de clonagem de cartões e de fraudes em internet banking. O objetivo do acordo é ajudar os delegados da PF a desbaratar quadrilhas que retiram ilegalmente R$ 500 milhões por ano dos cofres dos bancos.
A partir de dezembro, qualquer clonagem de cartão será comunicada imediatamente pelo banco à PF. Hoje, essas informações demoram pelo menos uma semana para chegar aos delegados que atuam na área de repressão aos crimes cibernéticos e só a Caixa Econômica federal envia esses dados. Pelo acordo, assinado com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), todas as instituições financeiras farão parte da rede de informações sobre fraudes e vão contar com a ajuda da PF para identificar “quadrilhas cibernéticas”.
A tarefa da PF será imensa. Atualmente, existem 32,5 milhões de contas bancárias com movimentação pela internet. O número de fraudes é tão alto que as instituições financeiras investiram R$ 16 bilhões em segurança e automação bancária só em 2008. A PF não possui os dados sobre fraudes em todas as instituições, mas sabe que, somente com relação à Caixa, há 48 mil notícias de crimes cibernéticos por ano. Ao todo, 1.044 pessoas foram presas por esses crimes, em 22 operações, nos últimos cinco anos. A expectativa é que esses números aumentem a com a criação da rede nacional.
“Acredito que conseguiremos realmente identificar as quadrilhas”, afirmou ao Valor o delegado Carlos Eduardo Miguel Sobral, chefe da Unidade de Repressão aos Crimes Cibernéticos da PF, que participa de um encontro da PF em Fortaleza. Ele explicou que, hoje, apenas a Caixa envia um CD com dados de fraudes todas as semanas para a PF.
Daqui a um mês essas informações serão repassadas de imediato, sem a necessidade da entrega de CD, e vão fazer parte de um banco de dados nacional de fraudes bancárias, que está sendo chamado internamente de “Projeto Tentáculos”. De posse dos dados, a PF vai identificar as quadrilhas e montar estratégias mais eficazes para combatê-las. “Estamos expandindo nosso banco de dados para exercer melhor a nossa atribuição. Agora, teremos estrutura para atender todo o Sistema Financeiro”, disse Sobral.
A PF teve de mudar de estratégia para combater a clonagem de cartões. Antes, os delegados abriam um inquérito para cada clonagem. Tinham de investigar crime por crime, que são milhares. A instituição chegou a acumular mais de 480 mil inquéritos. Desde fevereiro, a PF passou a abrir um inquérito por quadrilha. Com isso, as investigações ganharam foco e foram descobertos casos curiosos, como o de uma quadrilha com base em Parauapebas (PA), com clonagens em mais de cinco estados. Uma quadrilha do Maranhão cometeu crimes em 14 estados mas só uma clonagem no Maranhão.
“Na Caixa, o número de inquéritos caiu de 48 mil por ano para 20 mil”, revelou o gerente nacional de segurança do banco, José Renato Freitas Santos Cerqueira. Segundo ele, a abertura de uma investigação para cada clonagem só aumentava o trabalho, pois, com os limites de saque por hora e por valores, as quadrilhas passaram a ter de fazer mais saques para faturar mais.






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