O procurador da República Rodrigo de Grandis reafirmou ontem terça-feira (26/5) que o MPF (Ministério Público Federal) considera legal a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha, realizada pela Polícia Federal para investigar crimes financeiros.
Em decisão publicada ontem, o juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal, discordou da Procuradoria e rejeitou o pedido de arquivamento do processo que investiga a cooperação entre a Abin e a PF.
Segundo o procurador, a manifestação do juiz não “influencia em nada” o andamento da Operação Satiagraha. Ele argumentou que o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), órgão ao qual o juiz Mazloum está subordinado, já havia decidido que não havia irregularidades na participação da Abin na operação.
“O TRF da 3ª Região já decidiu, em habeas corpus e por votação unânime, que as provas [da Satiagraha] são válidas. E que a participação da Abin na investigação é regular e legítima”, disse.
Em sua decisão de ontem, o juiz disse ter observado “existência de vários telefonemas, [entre] celulares e gabinetes, entre Protógenes [Queiroz, delegado da PF], coordenador da operação, com o procurador da República, e com o juiz federal [Fausto de Sanctis] do caso”.
Para o procurador, o fato de o juiz tê-lo citado na denúncia não traz preocupações. “Isso não me preocupa de maneira alguma, porque o procedimento do MPF e do procurador encarregado do caso, de conversar com o delegado que preside as investigações é comum e regular”. Segundo ele, essa troca de informações é comum e acontece em várias operações deflagradas pela PF.
“O contato, antes de ser algo anormal, é necessário. Seria absurdo e irregular o fato de o procurador ou o delegado conversar com o investigado, ou se tivesse uma ligação entre Daniel Dantas e o procurador da República”, afirmou.
A decisão do juiz Ali Mazloum será agora encaminhada ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que deverá decidir se apresenta nova denúncia contra Protógenes e contra o ex-diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda.






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