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jun 15

CAMARGO CORRÊA: UMA PISTA DE CORRUPÇÃO? – Revista Época

  • 15 de junho de 2009
  • Notícias

Em planilhas apreendidas no escritório da empreiteira, a PF diz ter encontrado indícios de um esquema de propinas

WÁLTER NUNES

PROCESSO

Um carro da PF sai da sede da Camargo Corrêa no dia da deflagração da Castelo de Areia. Executivos da construtora podem virar réus

Quando os policiais federais batizaram a investigação sobre a Camargo Corrêa de Operação Castelo de Areia, eles queriam aludir ao poder de fazer desmoronar um grande esquema criminoso. A Polícia Federal seria como uma onda que varre da praia uma frágil construção. Em março, um batalhão de policiais revirou a sede da empresa e a casa de altos funcionários. Parecia que se desvendariam as relações entre grandes empreiteiras detentoras de obras públicas, caixa dois e doações ilegais para campanhas eleitorais de políticos.

Uma precipitada divulgação, sem provas, de nomes de políticos supostamente envolvidos com caixa dois, e as dúvidas sobre a investigação – e seus limites – logo fizeram supor que o nome da operação poderia virar uma triste metáfora sobre a fragilidade das provas juntadas pelos policiais federais. Dois meses após as apreensões, investigadores ligados à operação dizem ter achado num dos documentos apreendidos o que seria um detalhado esquema de corrupção.

Ele estaria descrito num calhamaço de 54 páginas em papel A4, apreendido no escritório da casa de Pietro Francesco Giavina Bianchi, executivo da Camargo Corrêa. Lá há “tabelas e planilhas com nomes de instituições, obras, partidos políticos e deputados, relacionados a valores respectivos em dólares e reais”. As anotações referem-se a transações feitas entre os anos de 1998 e 2000. Organizam em campos das tabelas as obras realizadas pela Camargo Corrêa, o valor pago por governos para a construtora e em seguida uma suposta divisão de valores para deputados, políticos, partidos e integrantes do Tribunal de Contas da União.

A lista já foi examinada por peritos de informática da Polícia Federal. Agora, a investigação tenta refazer o caminho do dinheiro. O objetivo é descobrir se as movimentações financeiras descritas naquelas páginas seriam, de fato, um esquema de pagamento de propinas. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Camargo Corrêa disse “desconhecer o assunto e não ter tido acesso ao documento”. O resultado da análise vai virar um relatório que será enviado ao Ministério Público Federal (MPF).

Nas anotações, há valores em dólares e reais associados a partidos políticos e deputados

A Polícia Federal já enviou ao MPF dois relatórios que resultaram em duas denúncias formais. Na primeira delas, a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn acusou três executivos da construtora e quatro doleiros por fraude em operação financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Segundo a procuradora, a investigação da Polícia Federal apresentou uma “farta gama de provas que comprovou a existência de articulada e sofisticada organização criminosa operada por doleiros e diretores da empresa”.

Em outra denúncia, também baseada nas investigações da Castelo de Areia, o MPF acusa dois executivos da Camargo Corrêa e dois da construtora Andrade Gutierrez, por formação de cartel e fraudes em licitação das obras do metrô de Salvador. A concorrência pública aconteceu em 1999. As obras, que receberam recursos da União e do Banco Mundial, foram iniciadas em 2000, mas não foram concluídas até hoje. As denúncias estão na mesa do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Em breve ele vai decidir se transforma os acusados em réus.

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