Infiltrados afirmam que até um aperto de mão errado pode denunciar policial
Tática da polícia paulista é esporádica e ocorrem mais em investigação para prender quadrilhas de tráfico de drogas
LUIS KAWAGUTI DA REPORTAGEM LOCAL
Falta de estrutura, de recursos financeiros e colaboração judicial restrita dificultam infiltrações de policiais em quadrilhas de SP. Em sua maioria, a tática é usada na investigação de tráfico de entorpecentes.
Três policiais paulistas, mantidos sob anonimato devido à natureza de seu trabalho, foram ouvidos pela Folha e disseram que o infiltrado não recebe treinamento específico, mas precisa ser experiente e ter vocação para a tarefa.
“A infiltração é a atividade mais arriscada para um policial. A qualquer momento ele pode ser reconhecido por um criminoso que prendeu há dez ou 15 anos. Isso aconteceu com um colega. A sorte é que na época ele usava cabelo comprido e barba e o bandido ficou em dúvida”, disse um policial.
O preparo psicológico, dizem os policiais, é um dos fatores mais importantes, porque podem passar até um ano se relacionando com uma quadrilha.
“Você passa a conviver com a pessoa e cria vínculo. Quando há prisões eles dizem: te tratei como irmão e você faz isso?”
Para se infiltrar, o policial tem que criar um personagem. Mas nem sempre ele conta com verba suficiente para agir como um membro do bando, dispondo de dinheiro, veículos e imóveis. Muitos dos bens utilizados na investigação são cedidos pela Justiça.
As infiltrações da polícia de São Paulo são esporádicas e só ocorrem quando o objetivo é apreender grandes quantidades de drogas, segundo eles.
Uma das tarefas mais difíceis, disseram, é lidar com facções criminosas, que possuem senhas e códigos corporais próprios. “Um aperto de mão errado pode delatar um policial”, disse um dos entrevistados.
Crimes
As infiltrações só podem ocorrer após autorização judicial -eles devem ser acompanhadas pelo Ministério Público e pela Justiça. Entretanto, segundo os policiais, muitos magistrados ainda têm receio de concordar com as operações.
Antes de serem iniciadas, as ações devem ser documentadas. Um policial pode acabar confundido com um criminoso se a PF estiver investigando o bando e interceptar um telefonema, por exemplo.
Os três policiais divergem em relação aos crimes que podem ou não ser cometidos. Para dois deles, o infiltrado deve realizar seu trabalho sem cometer nenhum crime.
Já o terceiro diz ser impossível não cometer os crimes de tráfico de drogas ou receptação nessas operações.






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