Segurança Pública é questão de Estado e não adianta querer colocar na Polícia a responsabilidade pela falta de Políticas Públicas.
Depois que todas as instituições falham e que o crime ocorre como resultado do lixo social é que vem a polícia para reprimir, pois não há que se falar em prevenção. Falta saúde, emprego, religião, acesso à cultura, lazer e informação; falta transporte de qualidade; falta escola; falta educação e esporte, além de faltar dinheiro no bolso e com a barriga vazia, sobram os problemas que dão início ao processo de violência.
Esses vários fatores que juntos ou separadamente dão ensejo à revolta e ao crime são deixados de lado pelas autoridades e como não podia deixar de acontecer, a população carente, não vendo outras possibilidades, se aproxima inconscientemente de problemas que pioram ainda mais a vida já tão difícil.
Apesar de todas essas infelizes circunstâncias, quando um policial chega a uma cena de crime ou quando toma ciência de um fato delituoso, não há como inicialmente medir o que levou o criminoso a agir daquela forma, pois precisa com urgência impedir que o delito aconteça ou se já tiver iniciado, que pare imediatamente.
O policial deve garantir a segurança àqueles que possam vir a ter suas vidas afetadas, agindo rapidamente para proteger a sociedade de qualquer ameaça e nesse momento não existe tempo para refletir sobre os motivos que antecederam o crime, mas sim utilizar dos meios necessários para a repressão.
Percebe-se nesse instante, o início de uma série de outros problemas, pois em primeiro lugar, essa repressão deve ser qualificada e não basta apenas reprimir violência com mais violência. Além disso, deve ser lembrado que as despesas com prevenção são infinitamente menores do que com a manutenção do aparato policial.
A análise sociológica da situação da segurança pública exige uma série de mudanças de contextos e paradigmas, que acabam por esbarrar em interesses políticos, tanto na esfera federal, quanto nos estados, municípios e Distrito Federal.
Porém uma coisa é certa, como está não dá mais para aceitar. Podem até mudar o nome do Órgão para Secretaria da Insegurança Pública, que certamente seria mais adequado ou até mesmo, parafraseando a tentativa federal de combater a fome, Secretaria de Combate à Insegurança Pública.
De qualquer forma, devaneios a parte, facilmente se percebe que a base da sociedade é a família e essa muitas vezes não possui condições de avaliar, nem tampouco de resolver os problemas. Não podemos imaginar que a sociedade tome as decisões e resolva a crise e a falta de segurança, pois é inadmissível que apesar dos inúmeros problemas e das estatísticas negativas, as autoridades públicas continuem a se limitar a buscar justificativas pífias, mascarando a realidade.
A reforma desse sistema público de insegurança deve começar a partir da interação entre as diversas forças, integrando vários órgãos e segmentos sociais. Os gastos com equipamentos e viaturas não são suficientes para controlar o crime, além do que não adianta apenas aumentar o efetivo das policias se o modelo é imperfeito.
O importante é reformar o sistema a partir da implementação real de políticas públicas com o efetivo controle de sua aplicação, sendo ainda fundamental fazer com que os diversos órgãos atuem em conjunto em ações sociais que certamente ocuparão o tempo ocioso, principalmente dos jovens, sem se esquecer das famílias de um modo geral, que podem ser, se bem orientadas, o grande impedimento para o jovem passar para o mundo das drogas e da criminalidade
(*) CLÁUDIO AVELAR POLICIAL FEDERAL PRESIDENTE DO SINDIPOL – SINDICATO DOS POLICIAIS FEDERAIS BACHAREL EM DIREITO E ADMINISTRAÇÃO – ESPECIALISTA EM DIREITO PÚBLICO APRESENTADOR DO PROGRAMA DE TV SEGURANÇA.COM CIDADANIA






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