MÁRCIO FALCÃO
Os aliados do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), partiram ontem quinta-feira (28) para o ataque contra o presidente em exercício da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT), e leram um ato de repúdio por ele ter adiado a eleição para o novo presidente da Casa.
Durante a reunião da CPI da Corrupção, os deputados Geraldo Naves (DEM) e Batista das Cooperativas (PRP), falando em nome da base aliada, disseram que o petista transferiu a eleição para se beneficiar.
Os governistas ainda leram, em plenário, uma série de reportagens divulgadas pela imprensa de Brasília contra o presidente interino da Câmara, como uma que o acusava de ter batido o carro em estado de embriaguez e dado “carteirada”.
A escolha do novo chefe do Legislativo estava marcada para ontem, mas foi cancelada por Cabo Patrício após um embate entre governo e oposição sobre a influência do governador na eleição.
Cabo Patrício iniciou a sessão de ontem levantando a suspeita, com base em informações de um blog, de que Arruda estaria oferecendo R$ 4 milhões para que os aliados enterrassem os três pedidos de impeachment que a Casa analisa contra ele.
O deputado Paulo Tadeu (PT) aproveitou o discurso do colega e colocou a eleição em suspeita, dizendo que Arruda também deveria ter negociado o novo ocupante da presidência.
“Estamos assistindo uma interferência clara do governador Arruda aqui nesse processo de escolha, que inclusive já tem como certo o nome do deputado Wilson Lima [PR]. Não podemos aceitar a articulação que o governador do DF está fazendo ou fez para impor o seu presidente nesta casa”, disse o petista Paulo Tadeu.
Naves saiu em defesa do governador e disse que Cabo Patrício demonstrou mais uma vez que age de forma precipitada no comando dos trabalhos.
O petista se irritou e disse que age de acordo com o regimento, e, portanto, marcaria a eleição para dentro do prazo limite de sete dias. “Estamos agindo dentro do regimento da Casa e da Lei Orgânica do Distrito Federal […] Está encerrada a sessão e eu convoco a eleição para o dia 2 de fevereiro. É uma decisão de foro intimo”, disse.
Após a discussão, Arruda, por meio de assessores, negou que tenha oferecido R$ 4 milhões aos aliados para arquivarem os pedidos de impeachment contra ele. Em nota divulgada à imprensa, os advogados do governador e a Procuradoria do Distrito Federal afirmam que a denúncia é caluniosa e que vai abrir uma ação civil e penal contra os responsáveis.
Planos
O adiamento da eleição surpreendeu os governistas, que já tinham entrado em consenso para eleger o deputado Wilson Lima (PR) como o substituto do deputado Leonardo Prudente (sem partido), que foi flagrado colocando R$ 50 mil de suposta propina no terno e nas meias.
Prudente estava afastado pela Justiça do cargo e renunciou na segunda-feira, sem apresentar justificativas. Prudente foi pressionado pelos governistas a entregar a presidência para evitar que o controle das investigações ficasse nas mãos de Cabo Patrício.
A eleição trouxe de volta à Câmara personagens suspeitos de envolvimento no esquema arrecadação e pagamento de propina que se mantinham longe dos holofotes. Prudente, chegou a Casa cercado de seguranças, mas não apareceu em plenário. A estratégia foi seguida pelos deputados Benício Tavares (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC), que também aparecem em imagens com Durval Barbosa, o delator do esquema de corrupção.






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