Leandro Fortes
Herdeiro do inquérito decorrente da Operação Satiagraha, deflagrada em 8 de julho de 2008, o delegado Ricardo Saad, da Polícia Federal, foi obrigado a amargar um constrangedor puxão de orelhas do Ministério Público Federal de São Paulo. Há duas semanas, a denúncia assinada pelo procurador Rodrigo De Grandis contra o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, e mais treze comparsas, determinou a abertura de três novos inquéritos sobre temas até então solenemente ignorados por Saad, mas desde sempre presentes na investigação do delegado Protógenes Queiroz, afastado do caso um mês depois de prender Dantas.
Um deles diz respeito à unificação das telefônicas Brasil Telecom e Telemar/Oi, a chamada “BrOi”, um negócio nebuloso de 4,8 bilhões de reais que rendeu a Daniel Dantas coisa de 1 bilhão de reais. Para De Grandis, a transação é fruto de um bem- sucedido crime financeiro usado para lavar dinheiro da compra da Invitel, uma das controladoras da Brasil Telecom pela Oi, sob a diligente supervisão do Opportunity. O procurador também pediu para a PF investigar o esquema de evasão de divisas do Opportunity Fund, gerenciado por Dantas, com base no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe, conhecido desaguadouro mundial de recursos oriundos do tráfico de drogas e corrupção. E, finalmente, as atividades da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, no Pará, negócio tocado por Carlos Rodenburg, sócio e ex-cunhado de Daniel Dantas.
Oficialmente, não houve, por parte da PF e do Ministério da Justiça, justificativa alguma para as omissões listadas pelo pro-curador De Grandis. Até porque, um ano depois, nada mais se tinha falado sobre o andamento posterior da Satiagraha sob a presidência do delegado Ricardo Saad. Bastou o Ministério Público tomar as rédeas do processo, ao anunciar a nova denúncia contra Dantas, em 6 de julho, para a engrenagem policial sob o comando do diretor-geral da PF, delegado Luiz Fernando Corrêa, acordar para o mundo, embora de maneira terceirizada. Três dias depois, via jornal O Estado de S. Paulo, o País descobriu que o relatório final da Satiagraha estava pronto. E mais, em tardia sintonia: pretende tocar pelo menos uma das investigações suscitadas por De Grandis, os negócios agropecuários de Daniel Dantas e Carlinhos Rodenburg.






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