MÁRCIO FALCÃO
A Polícia Civil isolou na noite desta quarta-feira os gabinetes dos deputados na Câmara Legislativa do Distrito Federal para identificar a instalação de possíveis equipamentos de escuta. O prédio foi esvaziado para que os policiais realizassem uma varredura no local.
Terão prioridade os gabinetes dos parlamentares que registraram queixa na Polícia Civil de que estariam sendo monitorados, além da presidência e da vice-presidência. Não há previsão de quando o trabalho será finalizado e nem se as áreas comuns, como corredores, também serão vasculhados.
Segundo o presidente da Câmara, Wilson Lima (PR), a Casa terá um funcionamento normal. “A Casa não vai parar. Nós vamos manter os trabalhos e assim que os gabinetes forem liberados os servidores podem retomar suas rotinas”, disse.
A varredura foi solicitada por parlamentares da oposição ao governador José Roberto Arruda (sem partido) depois que dois policiais civis de Goiás foram presos, na semana passada, acusados de monitorarem parlamentares.
Em depoimento à Polícia Civil de Goiás, o agente da Delegacia de Narcóticos do Estado, Luiz Henrique Ferreira, negou que tenha sido contratado para monitorar deputados distritais que fazem oposição ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido).
Ferreira afirmou, no entanto, que foi contratado por Francisco do Nascimento Monteiro para analisar vídeos que fazem parte do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que investiga o suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina.
O policial disse ainda que Monteiro o procurou dizendo que o serviço teria sido contratado por Arruda e que envolveria ainda uma varredura nas secretarias do GDF (Governo do Distrito Federal) para identificar possíveis grampos.
“Ele se explicou e negou que tivesse sido contratado para fazer grampos. Ele disse que nunca entrou na Câmara e que o serviço se resumia a fazer uma varredura nas secretarias”, disse o delegado Norton Luiz Ferreira, da Polícia Civil de Goiás.
Ferreira foi preso, na semana passada, nas proximidades da Câmara Legislativa de Brasília, ao lado do colega de corporação José Henrique Cordeiro. Eles prestaram depoimento e foram liberados. No momento da prisão, eles portavam um cheque de R$ 20 mil e um notebook que será periciado.
Ferreira afirmou que o cheque seria o primeiro pagamento pela análise dos vídeos que foram gravados por Durval Barbosa, delator do esquema de corrupção. As imagens mostram Arruda, assessores, deputados distritais e empresários recebendo dinheiro de suposta propina.
O policial contou aos superiores que foi até a Câmara para cobrar o valor porque o cheque entregue por Monteiro estaria sem fundo.
A Folha Online não localizou Monteiro para comentar as declarações do policial. Segundo informações da Polícia Civil de Brasília, Monteiro teria contado, primeiramente, que contratou os serviços dos policiais para instalar equipamentos de segurança em uma creche em São Sebastião, cidade próxima a Brasília.
Monteiro até sexta-feira trabalhava no gabinete do deputado distrital Benedito Domingos (PP), também investigado por suposta participação no esquema, mas foi exonerado.
A Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Civil de Goiás abriram um inquérito para apurar a denúncia e a suspeita é que os policiais agiam a mando de pessoas ligadas ao governador. Uma varredura também deve ocorrer na Câmara para identificar a instalação de possíveis equipamentos de escuta nos gabinetes.
O grampo teria ocorrido pelo menos nos gabinetes das deputadas Érika Kokay (PT) e Jaqueline Roriz (PMN).
Érika Kokay disse que teve informações que os policiais trabalham na divisão de narcotráfico e agiam a mando de Fábio Simão, ex-chefe de gabinete de Arruda e um dos alvos da operação que investiga o esquema de corrupção.






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