MÁRCIO FALCÃO
O assessor especial do Distrito Federal, Rodrigo Arantes, sobrinho do governador José Roberto Arruda (sem partido), se entregou na noite desta quinta-feira à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Arantes, Arruda e mais quatro pessoas tiveram a prisão decretada hoje pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) por tentativa de suborno.
Segundo o conselheiro do Metrô do DF, Antonio Bento da Silva, Arantes lhe repassou os R$ 200 mil que seriam utilizados para pagar o suborno do jornalista Edson dos Santos, o Sombra, uma das testemunhas do suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina a aliados no DF.
Arantes ficará preso em um prédio da PF ao lado do INC (Instituto Nacional de Criminalística), onde o governador está preso em uma sala de Estado Maior, reservada para autoridades.
Ainda não há previsão se Arantes será transferido para o presídio da Papuda, em Brasília, onde Bento já está preso desde a semana passada, quando houve o flagrante da tentativa de suborno.
A PF espera ainda que as outras três pessoas ligadas ao governador que estão com a prisão decretada se apresentem nas próximas horas. Se eles não se apresentarem em 24 horas, serão considerados foragidos da Justiça.
Prisão
Arruda foi preso nesta quinta-feira por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que aceitou pedido da subprocuradora-geral da República, Raquel Dodge. O Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra o governador e mais cinco pessoas por formação de quadrilha e corrupção de testemunha.
Além de Arruda, Arantes e Bento, também tiveram a prisão decretada o ex-deputado Geraldo Naves (DEM); Weligton Moraes, ex-secretário de Comunicação, e Haroaldo Brasil de Carvalho, diretor da CEB (Companhia Energética de Brasília).
Intervenção
Após a prisão de Arruda, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ingressou no STF (Supremo Tribunal Federal) com pedido de intervenção federal no Distrito Federal. Gurgel disse que o pedido se justifica porque há no governo do DF uma “verdadeira organização criminosa” comandada pelo governador.
O procurador também usou como argumento para pedir a intervenção a falta de “condições mínimas” da Câmara Legislativa do DF tomar medida semelhante.
“Há uma organização encastelada no governo, com indícios de um esquema criminoso de apropriação de recursos públicos, inclusive com parlamentares envolvidos. O governador tem demonstrado que o andamento das investigações não tem impedido ele de continuar a atuar criminosamente, atuando para coagir testemunhas, apagar vestígios”, disse o procurador-geral.
O advogado Nélio Machado, que defende Arruda, disse que desconhecia o pedido de intervenção, mas criticou a medida. “Acho que elegeram esse caso como exemplar e, com isso, se atropelam garantias fundamentais”, afirmou.






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