Lilian Tahan
A impossibilidade de o governador José Roberto Arruda (sem partido) concorrer à reeleição no ano que vem — consequência da Operação Caixa de Pandora — chacoalhou o cenário eleitoral para 2010. O afastamento do nome favorito ao GDF até o início do escândalo abriu espaço para candidaturas até então consideradas tímidas e em alguns casos completamente fora de cogitação.
No início de 2010, Maria de Lourdes Abadia (PSDB) completará seu terceiro ano no ostracismo político. Desde que perdeu o governo em 2006, Abadia deu um tempo da vida partidária. Magoada com a postura do ex-governador Joaquim Roriz durante as eleições passadas — o ex-governador fez corpo mole na campanha da tucana e não rejeitou o nome de Arruda na disputa —, Abadia acabou deslocada do contexto político. Desde o início de 2007, ela se dedica à vida acadêmica. Mas essa condição deve mudar em 2010. O nome da ex-governadora começa a ser ventilado por colegas de partido como uma opção nas eleições de outubro do ano que vem.
Presidente de honra do PSDB no DF, Geraldo Campos avalia que o distanciamento de Abadia do governador Arruda e do próprio Roriz, de quem foi vice-governadora no mandato de 2003 a 2006, pode favorecer a indicação da tucana para a competição ao governo em 2010. “Ela é dona de um nome que até agora não foi tocado, acusado de nada, além de ter experiência e uma história de longa data com essa cidade. Considero Abadia uma das pessoas mais indicadas para voltar ao cenário político nesse momento”, opina Campos.
O revés político ocorrido nas últimas semanas também pode ser usado dentro do PT para rever os papéis definidos antes da crise que destruiu os planos de reeleição do governador Arruda. O deputado federal Geraldo Magela pretende reabrir a discussão sobre o acordo firmado antes dos acontecimentos que tiraram Arruda da disputa eleitoral. Pouco antes do início do escândalo no DF, Magela havia acertado com o partido a desistência da candidatura ao governo e amarrado sua indicação ao Senado. O caminho estava livre para Agnelo Queiroz.
Jogo zerado
Na opinião do grupo que apoia Magela dentro da legenda, as denúncias que impediram a reeleição do atual governador “zeram” o jogo eleitoral. O grupo que defende a indicação de Agnelo ao GDF, no entanto, aposta que a disposição de Magela para retomar as discussões é mais uma tentativa de se cacifar e consolidar sua indicação ao Senado do que uma intenção real para assumir a dianteira na corrida eleitoral do ano que vem. Magela usará como argumento para negociar melhores condições na chapa, a relatoria do orçamento, que o aproximou do governo federal e o projetou na mídia.
As repercussões políticas provocadas pela Caixa de Pandora alcançam quase todo o leque da esquerda no DF. A primeira reação do PDT após as acusações que afetaram a expectativa de poder do atual governador foi sugerir a candidatura de Cristovam Burque em 2010. A hipótese chegou a ser colocada pela direção nacional da legenda, que enxerga chances reais de eleger o partidário.
Mas Cristovam afirma que não será o candidato. “Brasília completará 20 anos elegendo sempre os mesmos candidatos. Acho que eu e Roriz daremos uma boa contribuição para a cidade se não formos governadores. Além disso, meu partido já tem um nome para lançar no ano que vem, que é o Reguffe”, afirmou o senador. Nesse contexto de terra arrasada, o nome do distrital ressurge agora com mais comprometimento do partido. Reguffe havia sido cotado para a disputa do principal cargo no DF em 2010, mas sua indicação havia perdido envergadura dentro do partido, que ainda não estava seguro de como se posicionar numa disputa onde a reeleição de Arruda era dada como bastante provável pelas pesquisas.
O número
279
Quantidade de dias que faltam para o primeiro turno das eleições em 2010






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