Para evitar a intervenção no DF, deputados estão dispostos a cassar todos os distritais citados nas investigações da Polícia Federal, inclusive o suplente de Wilson Lima
Lilian Tahan e Luísa Medeiros
Começa hoje a fritura de Pedro do Ovo (PRP). Com a saída de Wilson Lima (PR), o suplente assume a vaga de distrital. Mas tão logo seja formalizada a posse do deputado, ele será alvo de uma representação da Mesa Diretora por quebra de decoro. Pedro do Ovo é um dos nove políticos investigados na Operação Caixa de Pandora. Ele é acusado pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa de receber dinheiro para votar projetos de simpatia do governo. Pedro do Ovo e Berinaldo Pontes foram os dois substitutos de parlamentares citados no Inquérito nº 650, do Superior Tribunal de Justiça.
Apesar das suspeitas, na condição de suplente nenhum processo poderia correr na Câmara contra Pedro do Ovo. Mas como assumirá a titularidade do mandato, ele se tornará alvo de um possível processo por quebra de decoro parlamentar. “É natural que a Mesa Diretora faça uma representação recomendando a abertura de processo para investigar a conduta do deputado, já que ele também foi citado na Operação”, afirmou Raimundo Ribeiro (PSDB), corregedor Ad hoc dos outros oito deputados supostamente envolvidos no escândalo. Ele afirmou, no entanto, que o eventual processo de Pedro do Ovo terá novo relator: “Não serei eu a relatar esse processo também”.
Vício
No dia em que ganhou status de distrital, Pedro do Ovo arriscou uma manobra para colocar em xeque toda a investigação em curso no STJ relacionada à suposta compra de votos dos parlamentares, da qual é alvo. Entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a transferência da investigação para a Corte máxima. Alegou um vício no processo, o de que um dos investigados, o deputado federal Augusto Carvalho (PPS) tem foro especial no STF e que, portanto, não deveria ser investigado no STJ. Pedro do Ovo chegou a pedir o arquivamento do inquérito. Ele afirmou que a subprocuradora da República Raquel Dodge agiu de forma “temerária, com má-fé e deliberadamente omitindo fato de que dentre os noticiados pela prática de suposto crime estava o deputado federal Augusto Carvalho, que tem prerrogativa de foro especial”.
Na tarde de hoje, Raimundo Ribeiro apresentará relatório provavelmente recomendando a abertura de processo contra os oito deputados citados na Pandora, além de Cabo Patrício (PT), acusado de beneficiar os negócios de Leonardo Prudente em contratos do lixo. Com a recomendação, ficará nas mãos da Comissão de Ética julgar se os distritais devem perder o mandato. Apesar da pressão, principalmente sobre os distritais que aparecem em vídeo recebendo dinheiro de Durval, eles negam a intenção de se antecipar e renunciar ao mandato.
Leonardo Prudente chegou na Câmara antes da leitura da carta de renúncia do ex-vice-governador Paulo Octávio (sem partido) e garantiu aos jornalistas que ficará no cargo para se defender das acusações de quebra de decoro parlamentar. “Não existe essa possibilidade (renúncia). Estou preparado para enfrentar o processo. Vou me defender aqui na Casa”, assegurou. Eurides Brito também manteve o mesmo discurso firme quanto à sua suposta saída. “Não integro o grupo de covardes deste país. Integro o grupo de pessoas que, quando recebem acusações, ficam até o fim”, justificou. A assessoria de imprensa de Júnior Brunelli (PSC), que está afastado das atividades parlamentares por um atestado médico, informou que o distrital não falou ainda sobre a hipótese de renúncia.






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