O líder do governo da Câmara, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), disse nesta terça-feira que, apesar de esperada, a renúncia do governador interino do Distrito Federal, Paulo Octávio (ex-DEM), agrava o quadro político da capital do país.
“A renúncia já era um passo esperado dado o envolvimento dele nas denúncias. Mesmo assim, agrava o quadro de Brasília”, disse Vacarezza à Folha Online.
Após se desfiliar do DEM, Paulo Octávio decidiu na tarde de hoje renunciar ao cargo. Em sua carta de renúncia, lida na Câmara Legislativa do DF, ele alegou falta de apoio político para deixar o cargo.
Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a decisão do ex-democrata de deixar o governo do DF foi a mais acertada possível. Segundo o tucano, que aproveitou a situação para alfinetar o PT, a renúncia só aconteceu por conta da “firmeza” das lideranças do DEM.
“Ele [Paulo Octávio] só tomou essa decisão por conta da firmeza com que os dirigentes do DEM agiram no caso de Brasília, o que os distinguem dos do PT, que não teve um comportamento desse nível no episódio dos mensaleiros em 2005. Enquanto os petistas protegeram os mensaleiros, o DEM exigiu que eles se desfiliassem”, disse.
Na semana passada, Paulo Octávio irritou os deputados distritais e a cúpula do DEM ao ensaiar a renúncia e depois recuar. No discurso, Paulo Octávio ainda fez referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para se manter no governo. Na avaliação do comando do DEM, ele assinou sua ficha de desfiliação ao citar o presidente.
Agora, com a confirmação da renúncia de Paulo Octávio, Alvaro Dias disse acreditar que uma intervenção federal no DF tornou-se ainda mais inevitável. “Eu acho que realmente é um último recurso. Mas as circunstâncias pedem essa solução. Creio que o procurador está correto. Digo isso até de forma insuspeita, até porque quem vai nomear o novo governador é o presidente [Luiz inácio Lula da Silva]”, afirmou.
De acordo com Vacarezza, o governo federal aguarda com expectativa uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o pedido de intervenção federal no DF. “É um assunto delicado. Mas se o Supremo decidir pela intervenção, o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] estará preparado para tomar as decisões. É importante ressaltar que, mesmo com toda essa crise, todas as saídas estão sendo tomadas dentro da constituição”, acrescentou.
Paulo Octávio assumiu o governo no dia 11, quando o governador José Roberto Arruda (sem partido) foi preso e afastado do cargo por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ele e Arruda são suspeitos de participar de um esquema de arrecadação e pagamento de propina no DF.
Com a renúncia de Paulo Octávio, o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), assumiu interinamente o governo do DF.






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