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mar 18

TRAGÉDIAS FUNCIONAIS E FAMILIARES – Por Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 18 de março de 2010
  • Notícias

                              

Mais uma vez, recebemos más notícias em relação à tragédias familiares. Um marido descontente matou a esposa que não mais o queria e depois,  completando o ciclo passional, ceifou a própria vida.

O infeliz autor, ao mesmo tempo também é vitima, pois apesar de ser considerado, na visão processual penal, como sendo um criminoso, percebe-se que pelos mais variados motivos, é violentado por ele mesmo, invadido por sentimentos grotescos e que levam aos piores desdobramentos.

Uma pessoa que mata por amor é, antes de tudo, um apaixonado. Porém egoísta e descontrolado a ponto de separar os filhos à força do pai e da mãe. Esse desvio ensandecido de conduta reforça a tese do Estado ausente, em que a lei do cada um por si e Deus por todos é a máxima em nossa sofredora sociedade.

A imprensa divulgou com muita propriedade, detalhes desse triste caso. Trata-se de um policial militar descontrolado, ciumento e enraivecido que ameaça a companheira, e essa, por sua vez, não encontrando saída, procura a instituição em busca de um porto seguro.

Como de costume, talvez por negligência ou corporativismo negativo, a atitude foi insuficiente ou nada foi feito e os fatos falam por si, gerando o desfecho trágico, que esfacelou mais uma família com pais mortos e filhos abandonados.

A profissão policial é uma das mais estressantes entre todas, em que ocorrem os maiores índices de suicídios, alcoolismo e outros tantos. Por isso, é fundamental que os organismos policiais olhem pelos seus. Não adianta apenas cobrar serviço, pois trata-se de homens e mulheres que nada recebem pelos seus trabalhos, além da miúda remuneração.

Arriscar diariamente a própria vida, trabalhar nas madrugadas, fins de semana e feriados, obviamente não é, pelo menos na teoria, a mais prazerosa das opções. A não ser a dedicação exclusiva de cada um e o prazer por bem servir, que acaba fazendo dos que trabalham bem e corretamente, verdadeiros heróis.

Onde estava a corregedoria quando o problema foi conhecido? E o serviço psicológico e de assistência social, o que fez a respeito, a não ser lamentar pelo ocorrido? E as crianças, quem vai cuidar?

Sabemos que essas perguntas ficarão sem respostas, mas temos certeza que nossas palavras vão incomodar quem poderia ter feito, e não fez.

Alertamos para o problema que enfrentam todos os servidores públicos, cobrados insistentemente pela sociedade que exige um serviço de qualidade. Óbvio que o trabalho deve ser feito com competência e dedicação, mas as condições de trabalho não podem ser deixadas em segundo plano. E o material humano, jamais pode ser preterido. Além desse trágico exemplo, temos outros, que ainda não causaram mortes, mas não se pode prever as reações do inconsciente.

Professores fizeram, na terça feira, uma manifestação pacífica na Câmara Legislativa do DF, por conta do não cumprimento do acordo celebrado entre o sindicato e o governador José Roberto arruda, que ainda está preso. Por conta desse objetivo, cerca de trezentos deixaram de comparecer a escola, mas que, porém conseguiram, de modo geral, que as aulas continuassem com aqueles que se pré-dispuseram a trabalhar.

A prova de que a reivindicação era justa, fica por conta da aprovação unânime, em dois turnos, em tempo recorde do aumento pretendido. Os Distritais reconheceram o direito e em tempo recorde votaram e decidiram. Parabéns aos 300, que mais pareciam os Espartanos, que tal qual o filme, conseguiram manter o acordo, salvando a pátria.

Ouvimos dizer que a Secretaria de Educação informou que cortaria o ponto dos professores faltosos. Acredito que essa informação vem de um administrador frustrado e despreparado, que desconhece a Lei e o Direito Administrativo, além de pouco se importar com o ser humano, pois sem o devido valor, certamente não irá produzir o resultado esperado pelos pais e alunos.

Outro fato que demonstra a falta de preocupação com o ser humano. Policiais Federais procuraram o sindicato que constatou que no INI, Instituto Nacional de Identificação não existe ar condicionado, fazendo uma paródia às masmorras, compararam às instalações em que Arruda esteve preso, já que apesar das reclamações da defesa, seriam muito melhores do que as dos Federais.

Além da falta do ar condicionado, não existem janelas, e nesse calor que assola Brasília, não dá para crer que num órgão como a Polícia Federal seja necessário o sindicato intervir para que se possa trabalhar. O mais surpreendente é que nesse setor transitam os maiores dados de todo o sistema de identificação criminal de todo o país e que uma pane por superaquecimento nas máquinas, pela falta de refrigeração, pode dar um prejuízo de milhões aos cofres públicos.

Encerramos com mais essa alerta as autoridades, que não podem se esquecer que devem providenciar os meios para que o serviço seja bem desempenhado, preocupando-se com o trabalhador, com uma política séria de Recursos Humanos, pois certamente se evitará, com isso, tragédias desnecessárias. ACORDEM GESTORES DO BEM PÚBLICO.

(*) CLÁUDIO AVELAR é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, Bacharel em Direito e Administração com Especialização em Direito Público. É apresentador do Programa de TV SEGURANÇA.COM CIDADANIA. www.claudioavelar.com.br

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