Entidades representativas dos policiais e dos servidores administrativos da Polícia se reuniram para pedir ao presidente da República mais atenção com a classe. Em carta aberta, escrita ontem quinta-feira (25/3), lembram dos 66 anos que a Polícia Federal completa neste domingo (28/3), e pedem a edição de uma lei orgânica para a classe, a garantia de integralidade da aposentadoria policiais e a reestruturação da carreira e também salarial.
“Consideramos inaceitável que esses assuntos sejam tratados com a insensibilidade típica da burocracia estatal, que se nega ao diálogo e à negociação. Sobretudo, no momento em que o país se prepara estrategicamente para dois grandes eventos, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016”, diz a carta, assinada por cinco entidades.
A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), uma das entidades que se reuniram para editar a carta, em Assembleia Geral Extraordinária, realizada em Brasília, nos dias 24 e 25 de março, aprovou indicativo de greve da categoria. As lideranças sindicais já marcaram a primeira paralisação para o próximo dia 14 de abril.
Segundo a Fenapef, nos próximos dias, a decisão será confirmada em assembleias estaduais dos sindicatos de todo o país, quando serão discutidas estratégias de mobilização e o calendário de novas paralisações, que deverão comprometer as investigações e operações em curso e também atingirão todas as unidades da PF, incluindo os postos de fiscalização nas fronteiras, portos e aeroportos.
Marcos Vinício de Souza Wink, presidente da Fenapef, diz que a decisão reflete a insatisfação generalizada dos policiais federais com o tratamento dispensado pelo governo federal à categoria dos policiais federais e servidores administrativos da instituição. “Nos últimos anos, entre todas as carreiras típicas de Estado, os policiais federais foram os mais desprestigiados em termos de reestruturação salarial”, afirma Wink.
Em março de 2009, uma proposta de recomposição salarial dos servidores da PF chegou a ser encaminhada pelo Ministério da Justiça e se encontra engavetada no Ministério do Planejamento. No último dia 22, o governador interino do Distrito Federal encaminhou ao governo federal uma proposta de reestruturação das carreiras das polícias Civil, Militar e Corpo de Bombeiros.
A Fenapef apresentou um estudo comparativo da evolução salarial de diversas categorias do funcionalismo público federal, com base em dados do próprio governo, elaborado pelos Sindicatos dos Policiais Federais em Minas Gerais e no Distrito Federal. O estudo será debatido pelos policiais nas assembleias estaduais e servirá como parâmetro da proposta de reestruturação salarial, a ser apresentada ao governo.
O vice-presidente Sinpef-MG, Luis Antonio Boudens, aponta um “sentimento de desmotivação e decepção” dos policiais federais em relação ao descaso do governo quanto à desvalorização dos servidores. “O empenho e a dedicação dos policiais federais, demonstrados nas várias ações da PF dos últimos anos, infelizmente, não têm sido reconhecidos”.
Com informações da assessoria da Fenapef






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