O advogado do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), rebateu nesta quinta-feira as declarações feitas por Durval Barbosa, principal delator do suposto esquema de pagamento de propina no DF. Nélio Machado classificou de “invencionices” as afirmações feitas pelo ex-secretário de Relações Institucionais.
Na última terça, Barbosa recusou-se a responder aos questionamentos dos deputados distritais que integram a CPI da Corrupção. Mas comentou sua condição de colaborador da Polícia Federal nas investigações do que ficou conhecido como “mensalão do DEM”. O depoente disse que passou a colaborar com a PF porque “não estava mais aguentando os achaques do senhor Arruda e do senhor Paulo Octávio”.
“É um absurdo que um cidadão com o prontuário de vida do senhor Durval apareça como arauto da moralidade e símbolo da República”, criticou o advogado de Arruda. Ele disse que as “invencionices” do ex-secretário de Relações Institucionais “serão destruídas quando ele estiver frente a frente conosco nos tribunais”.
As críticas de Machado estendem-se ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Sombra, que prestou depoimento à PF, no inquérito da Operação Caixa de Pandora, que apura irregularidades no governo do DF. O jornalista foi o pivô do flagrante de suborno que levou à prisão do ex-governador. Para o advogado, as declarações de ambos são uma tentativa de “salvar a própria pele”.
No depoimento à CPI, Durval Barbosa disse que “o rolo compressor nem começou”. Sombra concordou com a afirmação e acrescentou que outras pessoas ainda poderiam ser presas por conta das acusações.
Prisão e depoimentos
O ex-governador Arruda está preso em uma sala da Polícia Federal, em Brasília, desde o dia 11 de fevereiro, por determinação do Superior Tribunal de Justiça. Para seu advogado, ele “já deveria estar solto há muito tempo”. “A desnecessidade dessa prisão é manifesta”.
Nélio Machado disse que “tinha uma expectativa” de que seu cliente fosse liberado antes do feriado da Semana Santa, mas admitiu que o recesso no Judiciário pode dificultar o processo. O pedido de revogação de prisão foi renovado no início desta semana pela defesa.
Na última segunda-feira, por orientação dos advogados, Arruda permaneceu calado durante depoimento à PF. A série de interrogatórios determinada pelo STJ deverá ser concluída até a próxima terça. Até agora, de 34 convocados, apenas dez responderam aos delegados.
Entre os depoimentos que devem ser remarcados estão o da deputada Eurides Brito, que aparece em um vídeo do inquérito colocando dinheiro de suposta propina dentro de uma bolsa, e da ex-mulher de Arruda, Mariane Vicentine. As duas estavam convocadas para depor ontem, mas apresentaram atestados médicos.






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