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abr 07

CAPITAL DA ESPERANÇA OU DAS DROGAS? – Por Cláudio Avelar – Tribuna do Brasil

  • 7 de abril de 2010
  • Notícias

                               

A farsa acabou e não existe mais a menor possibilidade de mascarar a realidade. As drogas invadiram, definitivamente, a praia do cerrado e não adianta querer mostrar apenas o lado bom da vida, pois as drogas estão vencendo a guerra e a falta de políticas públicas, incentiva a criminalidade.

Em todas as quadras do DF e Entorno verifica-se o problema. Em cada lugar com um jeito e intensidade, mas a realidade é bruta e não dá mais para esconder. As crianças que serão o futuro de nosso país estão à mercê  da própria sorte.

Não existe regra nem tampouco um cordão de isolamento. Pode-se afirmar, ainda, que em todas as classes sociais existe uma sementinha da discórdia que favorece a droga se estabelecer em cada roda de conversa ou turma da escola, variando também de círculo para círculo de acordo com a realidade de cada um.

Ultimamente, em Brasília, a imprensa tem divulgado fatos e fotos extremamente desagradáveis com relação às drogas. O DF vem sendo mostrado para o mundo como território livre para o comércio de entorpecentes e ultimamente o crack, que por acaso vem sendo considerada a mais perigosa das drogas, por conta de suas peculiaridades, encontrou em nossa cidade um porto seguro.

Todas as drogas, obviamente são perigosas e danosas à saúde, mas essa em especial tem se destacado, devido ao preço baixo em contraponto ao elevadíssimo poder de vício e dependência. Após a primeira dose, já começa a implantar, no cérebro do usuário, a sua marca registrada e a vítima rapidamente não encontra saída que não seja usando cada vez mais e mais.

Crianças estão usando nas ruas, em todos as cidades, independente da classe social. No último domingo, um programa de televisão de abrangência nacional, mostrou cenas do comércio ilegal e do uso dessa droga, registrando a impunidade e a ineficiência da máquina pública.

Com a nova redação da Lei que regula o uso e o tráfico de drogas, se abriu mais uma porta para a entrada nesse mundo inescrupuloso. Uma enorme porta para entrar, porém com uma possibilidade de saída tão pequena e remota, que somente consegue transpassá-la quem contar com muita ajuda e estrutura familiar, fatores que raramente acompanham o dependente químico.

Com o vício, chegam outros crimes acessórios. Pequenos furtos no início, seqüestros, roubos e morte nos quadros terminais, onde não se pode medir a situação, decorrente da desesperança e falta de discernimento daquele que passa a ser nada mais que uma marionete nas mãos do traficante.

Além disso, estamos acompanhando a entrada no mundo da prostituição, de meninas e meninos que sem ter o que fazer, escolhem o caminho mais fácil, pelo menos aparentemente, para conseguir satisfazer o apetite insaciável do vício e da fome de dinheiro do traficante, que muitas vezes, comercializa droga, para sustentar o próprio vício.

Não existe solução fácil em curto prazo, pois nem sequer lugares adequados existem para se refugiarem os doentes viciados. O Estado é ausente e os menos favorecidos, que não possuem condições familiares de sustentar o vício, vão encontrar o seu jeito de sustentarem seus desejos.

Assisti outro dia no noticiário, que uma mãe desesperada havia sido presa, após ser flagrada algemando seu próprio filho ao pé da cama. Acontece que esse filho, viciado em crack, não conseguia se afastar do problema, cada vez mais se afundando na própria lama.

Emocionante o depoimento da mãe, que afirmava que só havia tomado aquela decisão, após sucumbir ante todas as dificuldades, mas sempre tentando salvar o filho do perigo do crack. Disse aos prantos, “faria tudo de novo pela vida de meu filho, pois se voltar para as ruas, vai acabar morrendo”. Triste depoimento de uma mãe desesperada, que contraria a lei em prol de uma causa justa, e enquanto é presa, o filho livre, volta a consumir crack, fazendo girar a roda do mal.

Por acaso alguém saberia dizer aonde essa mãe deveria buscar ajuda? Podem me contar o endereço da clínica de recuperação, mantida pelo poder público, onde as mães podem levar seus filhos doentes pelo vício? Ficamos sem reposta, mais uma vez e por conta disso, a droga corre solta e sempre batendo em nossas portas, se prevalecendo da fraqueza da resistência e da impunidade oferecida aos malfeitores.

Não adianta também culpar nesse caso a polícia. Já que usar droga não é  mais considerado crime e nem tampouco existe lugar para se levarem os drogados e para se internarem os doentes. Lanço então mais uma pergunta aos caros leitores: Se fosse você, o que faria? Pense bem antes de responder, mas se encontrar uma saída plausível, por favor, me avise, pois daremos divulgação a sua idéia, pelo futuro de nossas crianças.

(*) CLÁUDIO AVELAR é Presidente do Sindicato dos Policiais Federais no DF, Bacharel em Direito e Administração com Especialização em Direito Público. É apresentador do Programa de TV SEGURANÇA.COM CIDADANIA. www.claudioavelar.com.br

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