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ago 02

BUSCA INTERNACIONAL: A POLÍCIA QUE ROMPE FRONTEIRAS – Zero Hora

  • 2 de agosto de 2010
  • Notícias

Três salas na sede da PF gaúcha são QG da Interpol, engrenagem global de busca e captura de criminosos articulada pela internet

Na tarde de 20 de julho, toca o telefone do escritório da Interpol no Rio Grande do Sul, na sede da Polícia Federal (PF), em Porto Alegre. Eram policiais de Rio Grande solicitando checagem sobre integrantes de uma quadrilha dos Bálcãs presa com 62 quilos de cocaína no Cassino.

Sem muito esforço, os agentes acessaram o site www.interpol.int, despacharam dois e-mails e puseram em movimento as engrenagens da mais temida organização de combate ao crime. Em Lyon, na França, policiais passaram a rastrear os passos dos bandidos.

Foi assim, também, que uma rede internacional de pedofilia foi desbaratada na terça-feira passada. Em cooperação com a Polícia Criminal de Baden-Württenberg, na Alemanha, uma operação da PF foi realizada no Brasil contra a produção e difusão de vídeos com imagens de abusos de crianças e adolescentes. Iniciada em território alemão em junho de 2009, a investigação resultou na prisão de 20 suspeitos.

Agora é assim. Mediante cliques no mouse, policiais gaúchos conseguem descobrir se o velhinho que mora ao lado da mercearia em Santana do Livramento é acusado de crimes de guerra no Uruguai ou se o estrangeiro que mora em um residencial paradisíaco na Espanha é o homem que queimou viva sua mulher em Novo Hamburgo.

A Organização Internacional de Polícia Criminal, mais conhecida como Interpol, com sede em Lyon, é uma entidade virtual formada por policiais federais de 188 países.

De um ano para cá, pelo menos três traficantes gaúchos de renome internacional, um traficante paraguaio e um militar reformado acusado de crimes de guerra foram presos mediante troca de informações do Brasil com outros países. A notoriedade dos casos fez com que a demanda de serviços saltasse. A seção gaúcha da Interpol investigou 129 casos em 2009. Neste ano, 142 casos foram abertos apenas no primeiro semestre. Para o chefe regional da Interpol, delegado Farnei Franco Siqueira, no entanto, dá para fazer bem mais:

— Policiais do Interior podem contar conosco. Não estamos aqui para prender apenas criminosos famosos.

O noticiário visto com outros olhos

A forma como um agente da Interpol assiste TV ou lê os jornais do dia é bem diferente daquela de um cidadão comum. A notícia da prisão de um estrangeiro no Estado ou de um gaúcho fora daqui acende o sinal amarelo. Depois da notícia, é certo que o policial abrirá o computador para vasculhar os bancos de dados em busca de algum mandado de prisão internacional contra aquele criminoso.

Instalado no 2º andar da Superintendência da Polícia Federal, na Capital, um seleto grupo de agentes se dedica à missão de rastrear os passos de bandidos brasileiros no Exterior e de estrangeiros aqui no Estado.

— Meu trabalho é prender quem já deveria estar preso. Para ser sincero, é um barato — resume um agente da PF.

Com 33 anos – os sete últimos dedicados à PF –, o policial, que pede para ter o nome preservado, é discreto, como prega a cartilha dos bons investigadores. Distante do imaginário popular, não usa capa de chuva ou chapéu Panamá. Tampouco ostenta pistolas cromadas em coldres de couro. Na rua, poderia ser confundido com um engenheiro ou um advogado. E é assim que, há um ano, ele busca criminosos da lista internacional de procurados.

— Posso andar por um shopping, e ninguém saberá se estou fazendo compras ou seguindo um criminoso — confirma.

Seu dia a dia como integrante da Interpol é bem diferente do que estava acostumado em outras unidades da PF. Ele não se dedica mais à reunião de provas para um futuro processo judicial. Agora, busca informações sobre o paradeiro de foragidos já condenados que tentam refúgio além da fronteira.

O agente trabalha em duas frentes. Além de buscar foragidos nas ruas, passa parte do dia elaborando dossiês sobre criminosos que circulam por terras gaúchas ou se escondem em outros países.

As ações

A Interpol age contra o estrangeiro que possa ser:

– Expulso: Mesmo que um estrangeiro esteja regular no país, pode ser expulso se cometer crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social, a tranquilidade e a moralidade, bem como contra a economia popular. A expulsão é um ato governamental sumário e não precisa passar pela Justiça.

– Deportado: É o ato pelo qual o estrangeiro que estiver em situação irregular em um país ou nele ingresse sem a observância das formalidades legais, pode ser intimado a deixar o país. É o caso de visto vencido (seja de turista ou de negócios). Na deportação, o indivíduo também recebe uma pena pecuniária (multa) a ser paga.

– Extraditado: Só vigora mediante tratado bilateral entre dois países. É a entrega de um criminoso ao país de onde saiu e no qual existe uma ordem de prisão por crime praticado. É necessária a formalização de pedido estatal. Geralmente passa, também, pelo Judiciário. Via de regra, é aplicada a estrangeiros que não cometeram crime no país onde estavam refugiados.

 

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