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out 18

SEGURANÇA PÚBLICA – UM SEGREDO SOCIAL – Por Cláudio Avelar

  • 18 de outubro de 2010
  • Notícias

Inicio mais essa fase literária cumprimentando os leitores e firmando aqui minha solidariedade, porém de antemão informando que as notícias, relatos e narrativas, infelizmente podem vir repletos de caracteres que refletem o péssimo momento que passa a Segurança Pública.

Na verdade começo com uma provocação: _Qual seria a nomenclatura correta para os órgãos? Secretaria de Segurança Pública ou da INSEGURANÇA? Na melhor das hipóteses talvez fosse melhor assumir a trágica situação chamando de Secretaria de Combate à Insegurança.

Pelo andar da carruagem, segurança pública é uma utopia, pois sabemos que ninguém sequer se sente seguro. Nem de longe passa um sensaçãozinha de segurança. Somente os desavisados dormem de portas abertas ou arriscam a contar dinheiro na porta dos bancos.

Impressionante, pois as pessoas se dirigem aos bancos para pegar dinheiro ou para pagar contas. Existem diversas variáveis para tais operações, mas em suma se resume a isso. Mais impressionante ainda é o fato de a Polícia que seria responsável pela nossa segurança, ao invés de proteger o cidadão contribuinte, sugere que o correntista deve ter cuidado quando estiver em uma instituição bancária.

Cuidado com os ladrões, alerta a polícia, fique de olhos bem abertos e verifique se não está sendo seguido ou observado… Não saque grandes quantias para não chamar a atenção…; não conte dinheiro em público. Não isso…; não aquilo… e por fim muito cuidado pois não consigo te proteger, diz a polícia.

Pera aí… Não me interprete mal, pois a culpa no campo geral não é da polícia somente. E me reservo o direito de não me calar quando o assunto é ausência do Estado. Lembro que mesmo diante da falência das Instituições policiais, existem verdadeiros heróis que oferecem a própria vida em defesa do cidadão, mas ainda assim não conseguem passar a sensação de segurança que o povo tanto almeja.

Falta verba, falta salário digno, falta estrutura, falta efetivo e principalmente falta metodologia e inteligência para que as polícias se adéqüem ao mundo moderno e fica aqui uma sugestão: Não adianta inventar  moda nem tampouco criar modelos fabulosos, buscando as experiências de sua própria vida umbilical. Melhor e mais barato é verificar os exemplos que deram certo nas policiais sérias que trabalham bem, nos países sérios que buscam atender às demandas sociais.

Basta apenas adequar essas experiências de outros países ao modelo “tupiniquim”, que já teremos grandes chances de progredir, na expectativa de tampar os buracos da ausência de boa vontade se sobrepondo aos desmandos políticos que atendem mais aos interesses corporativos do que aos da sociedade.

Parafraseando o “Capitão Nascimento” (Tropa de Elite 2) – A culpa é do SISTEMA. Sistema Público de Insegurança, mantido por quem gere o próprio sistema, por quem pretende não permitir que funcione e  para que se beneficiem pela ineficiência desse sistema. Nesse caso, as repetições abundam, mas não prejudicam, pois enfatizam que mudanças seriam muito bem vindas.

Arrisco-me a fazer mais um questionamento: Será que querem que esse sistema funcione?

Voltando ao filme, que sem sombra de dúvida, já é um grande sucesso, pois mostra uma ficção, porém muito próxima da dura realidade que o povo não agüenta mais. Percebi um clamor popular não visto faz muito tempo. Assisti arrepiado, o Público aplaudir emocionado, quando as cenas mostravam o crime não compensando por conta dos bons policiais e chorar de raiva e angústia quando via os criminosos apenas trocarem de lugar com os superiores e com alguns que ocupam o Congresso Nacional.

Precisamos de leis melhores, precisamos de políticos melhores e precisamos de mais educação, para que o povo aprenda a melhor escolher seus representantes e precisamos desmistificar de vez a situação atual, fazendo os governantes aceitarem que Segurança Pública não é caso de Polícia, mas sim dever do Estado de forma coletiva, fazendo com que exista uma real interação de forças em prol da prevenção da criminalidade, ocupando os espaços vazios onde o crime conseguiu se instalar.

A polícia é sempre a última das ferramentas desse sistema público de insegurança e somente começa a atuar depois que tudo falhou: quando falta saúde, escola, família, religião, transporte público de qualidade, emprego, moradia é que aparece o crime como resultado do lixo social. Nesse momento é que a polícia começa a agir com repressão, pois não consegue prevenir de forma adequada.

Muito há que se fazer e a população demonstra estar amadurecendo para poder participar desse “bendito sistema” e finalizo parabenizando àqueles que mesmo diante das dificuldades, conseguem se reunir, associando-se em grupos que buscam fazer o bem.

Cláudio Avelar
Agente Federal desde 1984
Bacharel em Administração e Direito
Especialista em Direito Público

Diretor do Sindicato dos Policiais Federais

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