Lorenz deixa cargo, por conta de supostas interferências na Segurança
Daniel Lorenz deixou ontem a Secretaria de Segurança do Distrito Federal. Ele entregou o cargo diretamente para o governador, Agnelo Queiroz, com a justificativa de que estaria sofrendo interferências políticas e por falta de apoio.
O delegado da Polícia Federal, especializado no combate ao narcotráfico, assumiu o posto defendendo a despolitização e a condução técnica dos órgãos de
Segurança. Conseguiu resultados concretos em poucos dias de gestão,a exemplo da redução das ocorrências de determinados crimes e a autorização para que pudesse fechar bares que mantivessem práticas irregulares.
Mas, mesmo diante dos resultados, na quebra de braço entre técnica e política, a segunda falou mais alto e políticos, de dentro e fora do Buriti, começaram a ter voz na pasta.
“Ele viu que não teria condições políticas para fazer o seu trabalho. Isso inclui tudo o que você possa imaginar”, comentou uma fonte próxima ao ex-secretário. “Desde o primeiro dia, ele afirmava que não teria interferência política. Mas esse distanciamento foi muito grande e acabou criando muitos problemas”, disse um membro da base.
Lorenz teria entrado em rota de colisão com cinco secretários e com a bancada da Segurança na Câmara Legislativa. O ex-secretário também teria despertado desafetos dentro da Polícia Civil.
Além da questão salarial, que culminou em uma desgastante greve para o governo, teriam tido desavenças em questões pontuais, a exemplo da proteção de Durval Barbosa, delator e operador do esquema de corrupção desmantelado pela Operação Caixa de Pandora.
Nos bastidores, comenta- se ainda que Lorenz teria sido avisado pela Polícia Federal de uma suposta operação que seria deflagrada no Distrito Federal. A ação poderia envolver membros do governo Agnelo e, para evitar constrangimentos, Lorenz – que continua sendo delegado federal – resolveu entregar o posto.
Longe dos holofotes, também correu a informação de que Lorenz estaria sendo pressionado para deixar determinadas investigações na geladeira. As especulações chegaram até mesmo na possibilidade de ligação entre Lorenz e Durval Barbosa.
O Jornal de Brasília tentou contato com Lorenz, mas ele preferiu não comentar a saída da secretaria. Em nota, o governador Agnelo afirmou que respeita os motivos pessoais do delegado e que restou a ele aceitar o pedido de desligamento. O vice-governador Tadeu Filippelli lamentou o desligamento e disse que o governo nada pode fazer diante da decisão pessoal.
De acordo com o governo, até as 18h de ontem, ainda não havia sido definido o nome do novo
secretário. Interinamente, responderá pela pasta o secretário adjunto, o coronel da PM Luiz Renato Fernandes Rodrigues.






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