Por: Humberto Fissel Barbosa de Castro
Pode não parecer, mas tem tudo a ver.
O Governo Federal, querendo reduzir as despesas públicas, como todo governo em início de mandato, estabeleceu regras para atingir seu objetivo, entre elas a contenção de despesas com diárias e passagens de servidores públicos federais, sem, no entanto, atentar-se para as exceções que deveria eleger.
A Polícia Federal, atingida em cheio pelos cortes, deveria ter sido uma exceção. Como se sabe, a contenção imposta forçou o órgão a rever suas operações de prevenção aos crimes de contrabando, descaminho, tráfico de armas e munições e, principalmente, de drogas. Nossas fronteiras, com sua segurança a cargo da polícia administrativa da União, exercida pelo DPF com o esforço extraordinário de agentes e escrivães, principalmente os que lá labutam, ficaram literalmente desguarnecidas. Agora, a porta de entrada ficou livre para contrabandistas e traficantes.
Entre as operações prejudicadas a Sentinela é a que mais está doendo na sociedade. Com o apoio da Força Nacional de Segurança, coordenada por agentes federais de todo o País, a imensidão de nossas fronteiras era guarnecida provisoriamente, inibindo a ação dos criminosos, até que o Governo Federal apresentasse uma solução definitiva para o problema.
Essa solução definitiva necessariamente passa pela valorização do verdadeiro Policial Federal, transformando os cargos de agentes e escrivães em OFICIAIS DE POLÍCIA FEDERAL, com as responsabilidades e atribuições já executadas informalmente pelos mesmos e com investimentos no setor.
A apreensão de mais de 1,5 tonelada de maconha realizada, no dia 29 de abril, com muita competência pelos agentes federais da DRE da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais prova o desacerto do Governo Federal em cortar despesas em local errado e em adiar a implementação do OFICIAL DE POLÍCIA FEDERAL, responsável pela polícia administrativa (preventiva) da União.
Aquela droga veio do Paraguai e entrou por Ponta Porã (MS), mas poderia tranquilamente ter entrado por Foz do Iguaçu ou Guaíra (PR).
Aí vem a pergunta que não quer calar: e o volume de droga que entrou e continua entrando em território nacional e não é interceptada pelos agentes federais? É claro: está na posse de traficantes, viciando e sustentando o vício de inocentes, provocando homicídios, financiando o tráfico de armas e munições e mais tráfico de drogas em toda a Nação. Por isso a sociedade sofre.
Pode não parecer, mas tem tudo a ver.
Humberto Fissel Barbosa de Castro é Agente de Polícia Federal
Fonte: Agência Fenapef






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