A Federação Nacional dos Policiais Federais esclarece que não coaduna com a estratégia de algumas entidades representativas de delegados e peritos e da Polícia Federal, de utilizarem como motivação para uma greve por melhores salários a recente “Operação Voucher”, deflagrada pela corporação – cujos investigados são alguns servidores e dirigentes do Ministério do Turismo.
De acordo com matéria publicada no site da “Veja”, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) e a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), a pretexto de demonstrar sua indignação, cobraram o descontingenciamento de verbas orçamentárias do órgão. Estas entidades, pelo que foi divulgado, demonstram a pretensão de explorar as repercussões e desgastes políticos provocados pela operação policial junto ao governo, como mote para reivindicações salariais.
A Federação Nacional dos Policiais Federais, entidade que congrega 27 sindicatos de todo o País, também está reivindicando a recomposição de perdas salariais e a reestruturação da carreira policial. Também apóia a campanha pela reestruturação da carreira dos servidores administrativos, tão desvalorizados e desprestigiados. Contudo, a entidade repudia a utilização de operações policiais como instrumento de pressão, na defesa de seus representados.
O claro entendimento da separação entre o interesse público e interesses coorporativos nos impede nestes moldes. Ao longo das duas últimas décadas, a Fenapef foi forjada na luta aguerrida por melhores condições de trabalho e, nos momentos mais críticos, exercemos o legítimo direito de greve, que garantiram avanços significativos para os servidores da Polícia Federal. Sem recorrer a expedientes oportunistas, muito menos com eventuais interesses políticos.
Nossa entidade sempre defendeu uma polícia republicana, livre de amarras político-partidárias. Também temos reivindicado a liberação de recursos para o regular funcionamento da PF, como forma de melhorar a segurança pública. Defendemos o emprego de algemas em presos, com vistas à garantir a integridade dos policiais, dos próprios conduzidos e, em especial, de terceiros. Também somos críticos contumazes da espetacularização de operações.
Carregamos outras tantas bandeiras de luta, visando a maior eficiência, profissionalização e fortalecimento da Polícia Federal, no cumprimento de suas atribuições constitucionais.
De forma democrática e independente, a Fenapef também já manifestou críticas de interesse público e da categoria de servidores que representa, tanto a dirigentes anteriores, como ao atual diretor-geral da PF e também ao ministro da Justiça.
Nossa luta em prol do reconhecimento e da valorização profissional de todos os servidores da Polícia Federal é contínua. Como cidadãos e servidores públicos, defendemos o diálogo, de forma transparente e leal. Se as negociações com o governo se esgotarem, utilizaremos o instrumento legítimo da mobilização dos nossos filiados, com ampla divulgação dos nossos pleitos, se preciso for fazendo paralisações e até greve, sem bravatas e muito menos chantagens.
Estes são nossos valores e métodos, razão de nossa força e do respeito conquistado perante os policiais federais que representamos.
Fonte: Agência Fenapef






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