“A aquisição de equipamentos tecnológicos para aumentar a eficiência das policias, por si só, não garante a qualidade da ação de tais atores”.
Observar a condição em que se encontra a segurança pública no Brasil é sempre deparar-se com a urgência das ações necessárias. Dentro desta perspectiva a mudança e a qualificação das ações de cunho protetivo e de garantia da ordem pública, são quase sempre pensadas para atingir resultados no curto prazo. Apesar da potencial inconsistência de tais ações, não se pode desmerecer os esforços realizados nesse sentido, e que em grande medida, de fato, trazem resultados relevantes para o campo da segurança pública.
Ultimamente tem sido possível observar a recorrência de noticias que evidenciam um esforço em melhorar o aparato tecnológico de ação das forças policiais, na tentativa de assim, tornar seu trabalho mais eficiente e seus resultados mais contundentes.
Para acionar evidências do desempenho da atuação policial, costuma-se valer, por exemplo, do numero de prisões efetuadas por mandato. Pautar-se na observância de tais fatos desqualifica a atuação policial, na medida em que são cobrados resultados sem que sejam observados os procedimentos a serem seguidos e a capacitação para execução de tais procedimentos.
É neste sentido que vai nossa crítica ao tipo de investimento que tem sido feito para aumentar a eficiência das policias brasileiras no curto prazo. A aquisição de equipamentos tecnológicos para aumentar a eficiência das policias, por si só, não garante a qualidade da ação de tais atores. O investimento na formação especifica dos policiais para o tipo de atividades que irão realizar, bem como o acompanhamento e atualização de suas aptidões e táticas, se caracteriza com emprego de verbas cujos resultados seriam mais consistentes a longo prazo.
A necessidade de capacitação dos profissionais da segurança pública é uma demanda iminente da policia brasileira como um todo, e neste sentido o investimento em cursos de formação e constante atualização e treinamento destas partes seria uma possível diretriz para garantir a eficiência às forças policiais e de segurança pública no Brasil. Por outro lado, o investimento nas tecnologias de ponta a serem utilizadas na ação policial propriamente dita, pode vir a parecer uma tentativa desesperada de diminuir os índices de violência constantemente midiatizados. Nesse sentido é que cabe a questão acerca do direcionamento das ações prioritárias de uma administração da segurança pública. A capacitação profissional das forças policiais garantiria uma consistência da evolução da qualidade da atuação destas, bem como um avanço de longo prazo para a própria segurança pública.
*Lize Marchini é integrante da equipe de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Fonte: Carta Capital






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