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abr 12

Insegurança: Criminalidade em alta

  • 12 de abril de 2012
  • Notícias

Fonte: Jornal de Brasília

Assombram-nos os índices de criminalidade no DF, diariamente, como vem sendo eficientemente mostrado pela imprensa. Assombra-nos igualmente a inércia de uma população que deveria estar gritando nas ruas. Afinal, a vida de todos está em jogo, a preço de banana, à mercê dos agentes criminosos. Penso que tal apatia reflete o descrédito na incapacidade do Estado e na sua falta de vontade política para tocar fundo nas questões que entendemos ser de ordem estruturante.

O assassinato de um jovem profissional na Asa Norte, associado à operação tartaruga da Polícia Militar, indignou a população, levada a se revoltar contra o pequeno número de policiais nas ruas. É fato que são poucos? Sim, mas é preciso não tratar o problema que ora nos aflige de forma tão simplista.

Pouco falta, talvez, para que tenhamos o toque de recolher, visto as orientações de autoridades e especialistas para que os “otários” – nós – entrem e saiam de seus veículos rapidamente, para que evitem andar em lugares escuros, (a quem cabe iluminá-los?), para que não saiam desacompanhados das escolas, faculdades, restaurantes, clubes, de seus lares, para que evitem ostentar seus pertences.

E assim é que o Conselho Comunitário da Asa Sul, em nome da comunidade que representa, torna pública sua manifestação de indignação com os registros do aumento da criminalidade, contra manifestações de policiais militares, que desonram o compromisso assumido com a Nação, publicando palavras de ordem a cada crime praticado, para que assim possam se beneficiar nas suas reivindicações, contra a falta de leis mais rígidas. Mas se vai muito além disso. O Conselho registra sua indignação com a falta de políticas públicas estruturantes e com visão de longo prazo, por parte de nossos governantes. E estes, constantemente, envolvidos em escândalos de corrupção, em completo escárnio com a sociedade. Também pela negligência com que são tratadas as crianças e adolescentes que crescem tendo o crime como escola.

Ninguém é gerado e nasce bandido. Elas estão sendo frutos do descaso, da omissão do poder público e, em assim sendo, o que esperar para o futuro? Pesquisa do Conselho Nacional de Justiça lançada nessa terça-feira mostra que os jovens infratores começam a cometer crimes aos 12 anos. No Centro-Oeste a maioria dos infratores parou de estudar com 14 anos. E tem 45,7% de reincidência em crimes após serem detidos. E 80% dizem que faziam uso de drogas.

Isso mostra que precisamos atacar o mais urgente possível as causas da violência. Pois a cada dia, mais crianças estão sendo “preparadas” para atuar na criminalidade. Basta andar pelas cidades vizinhas e descobrir esse mundo tão perverso, e que policial algum irá reverter. Os reflexos dessa situação, já de longa data, são sentidos no Plano Piloto. Estamos perdendo, inclusive, a tal “sensação de segurança”, tão propalada pelas autoridades em segurança pública.

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