Fonte: Agência Sindipol/DF
Até ontem, 28 de maio de 2013, havia no Departamento de Polícia Federal apenas uma data a ser lembrada: a de sua fundação. Na data de ontem, todavia, ficou marcado o início do fim do Departamento de Polícia Federal que combatia a corrupção e o crime organizado, orgulho da população brasileira.
O falência do Órgão teve hora precisa, ocorreu às 21:23 hs, quando o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, declarou aprovado o PLC 132.
Desconectado do seu tempo, o PLC 132 faz lembrar tempos de tirania, de uma polícia de governo, retomando em sua redação e inspiração termos empregados tão somente nos momentos mais nebulosos da história. O texto legal chega ao extremo de exigir aos delegados tratamento idêntico ao dispensado aos membros da Magistratura e do Ministério Público.
Pior, contudo, é lembrar que tudo isto tramitou com o apoio institucional do DPF, por meio de unidade da Polícia que tem patrocinado uma verdadeira “baciada” de projetos que, assemelhados, visam criar privilégios descabidos exclusivamente aos Delegados de Polícia. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que até hoje não foi votado em caráter terminativo o adicional de fronteira e os esforços do Departamento para sua celeridade são extreme duvidosos.
A Assessoria do DPF tem sido rotineiramente aparelhada por uma associação classista, e se especializado em defender pautas que não contemplam todos os servidores do nosso órgão, que não atualizam a realidade policial e que frustam as altas expectativas que a Sociedade Brasileira deposita sobre o trabalho da Polícia.
Por fim, não custa lembrar das falhas de nossa categoria, que não esteve atenta à tramitação do PLC 132, que não se mobilizou adequadamente e que, ao cabo, não compareceu hoje às galerias do Congresso Nacional para velar o Departamento de Polícia Federal em seus últimos momentos.
O Departamento de Polícia Federal que eu conheci, que tanto me orgulhou, pelo qual lutei e com que sonhei faleceu hoje. Amanhã resta apelar à unidade de nossa categoria para recriar, refundar, fazer renascer este órgão tão fundamental aos brasileiros e que corre o risco de tornar-se somente mais um órgão governamental, desfalecido e passivo.
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