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jul 18

Para ministro, segurança do papa é o povo brasileiro

  • 18 de julho de 2013
  • Notícias

Fonte: O Estado de S. Paulo

A cinco dias da chegada do papa Francisco ao Rio para a Jornada Mundial da Juventude e em meio ao temor de protestos, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu ontem que faltam detalhes para fechar a agenda papal. O ministro da Secretaria Especial da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que a fraternidade dos brasileiros será a “principal segurança” do pontífice no País.

 

A cinco dias da chegada do pa­pa Francisco ao Rio para a Jor­nada Mundial da Juventude, o governo federal admite que seu roteiro não está 100% fe­chado e ainda passa por adap­tações. Segundo um dos mi­nistros, a segurança do pontí­fice está nas mãos “do povo”.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiu on­tem que faltam alguns pontos para fechar a agenda papal, mas sem dar detalhes. Cardozo e seu colega da Defesa, Celso Amorim, participaram de duas reuniões no Rio com o secretá­rio de Segurança, José Mariano Beltrame, além de representan­tes da Gendarmaria (a polícia do Vaticano) e da prefeitura.

Democracia. “Protestos que possam haver fazem parte da democracia. O papa tem se mostrado tão aberto, tão plural na sua concepção, que eu tenho certeza de que ele vai saber entender que isso é parte da saúde democrática de um País. Saberemos conviver sem problema e espero, pacificamente, com toda forma de manifestação” Gilberto Carvalho

MINISTRO
Os Ministérios da Justiça e da Defesa são os responsáveis pela segurança pessoal do papa e  evento. “Tudo o que diz respei­to à presença do papa foi discuti­do, e nós estamos fazendo as adaptações, ouvindo sugestões do Vaticano, e eles ouvindo as nossas. Justamente para que possamos ter um plano de segu­rança exitoso”, disse Cardozo.

O governo brasileiro está tão preocupado com a possibilida­de de manifestações populares na próxima semana que já comunicou oficialmente a equipe do papa Francisco sobre possí­veis protestos. A Agência Brasi­leira de Inteligência (Abin) vê seis “fontes de ameaça” à reali­zação da Jornada Mundial da Ju­ventude (JMJ) no Rio: inciden­tes de trânsito, crime organiza­do, organizações terroristas, movimentos reivindicatórios, grupos de pressão e criminalida­de comum. O maior nível de preocupação – o alerta verme­lho – é com os chamados “gru­pos de pressão”, como são caracterizadas manifestações di­fusas, sem líderes específicos.

Mas o chefe da Igreja Católi­ca não demonstra nenhuma apreensão com o assunto. “Eles já foram avisados, mas o papa é assim, quer matar a gente do coração indo pas­sear de carro aberto na comuni­dade da Rocinha”, diz o minis­tro da Secretaria Especial da Presidência da República, Gil­berto Carvalho. O uso de um papamóvel não blindado, pela primeira vez desde 1981, preo­cupa as autoridades, que ainda avaliam o risco.

O estafe de Carvalho está em contato direto com a Gendarmeria do Vaticano, acertando os detalhes da visita. “A princi­pal segurança do papa será o en­tusiasmo, a tradição de paz e de fraternidade do povo brasilei­ro. Não estamos efetivamente preocupados, a não ser, claro, com aquilo que é a nossa obrigação oferecer: apoio logístico e de segurança a um chefe de Esta­do que é o que o papa represen­ta e é”, disse o ministro a jorna­listas, após participar de reu­nião do Conselho de Desenvol­vimento Econômico e Social, em Brasília. “Em todas as mani­festações religiosas já feitas no País jamais tivemos nenhum ti­po de conflito. Não acredito que interessa a quem quer que seja criar problemas, cada um saberá respeitar o seu espaço.”

Mudanças» Apesar de as autori­dades negarem qualquer mu­dança de roteiro de última hora, um dos temas discutidos on­tem foi justamente a possibili­dade de trocar o local da soleni­dade de boas-vindas ao pontífi­ce, inicialmente previsto para ocorrer no Palácio Guanabara na segunda-feira, para a Base Aé­rea do Galeão. Francisco se en­contrará no Palácio com a presi­dente Dilma Rousseff.

A sede do governo foi palco de um violento confronto entre manifestantes e policiais na se­mana passada. Foram usadas pedras e rojões, pelos ativistas, e tiros de borracha e bombas de gás, pelos PMs. Ainda ontem, o Comitê Organizador Local e o governo do Estado negaram qualquer mudança no roteiro já previsto. Cardozo, no entanto, admitiu que ainda haverá ou­tras reuniões para fechar o rotei­ro completo e o esquema de segurança do pontífice. 

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