Fonte: Agência Sindipol/DF
Por Jones Leal
É muito bom acordar e ver as coisas tranquilas em casa. Feliz daquele que não enfrenta problemas financeiros e tem o sustento necessário para manter a família. Moramos numa excelente casa, numa das regiões mais valorizadas da cidade.
Nossos filhos estudam em colégio particular, graças ao bom salário que nós recebemos do governo federal. Todos nós, policiais federais, ganhamos muito bem. Tivemos muita sorte em termos agora, pela primeira vez, um Agente Federal no comando da Polícia Federal, substituindo ao antigo delegado na direção-geral. Ele tem lutado muito pelos Agentes, Escrivães, Papiloscopistas, Servidores Administrativos, Delegados e Peritos, notadamente no que se refere aos contatos e reivindicações salariais que faz junto ao Ministro da Justiça. Somos sempre prontamente atendidos nas nossas reivindicações. Aliás, só temos a agradecer a essa gente, pelo carinho que eles nos dispensam quando das nossas reivindicações.
Feliz da vida, entro no meu carro – do ano, evidentemente! – e tomo a avenida rumo ao trabalho. Nada de engarrafamentos! O trânsito flui normalmente pelas impecáveis vias, sem registro de buracos no asfalto ou semáforos defeituosos. Tudo é tão bom como na cidade de fronteira em que eu trabalhava. Aliás, lá era ainda melhor!
Chego ao local de trabalho e, com muita facilidade, encontro vagas no estacionamento. É sempre assim! Ainda bem que pensaram nos servidores comuns antes de construir o prédio. Os retardatários poderão colocar os seus carros nas vagas destinadas aos cargos de chefia. Os colegas nem ligam, porque não são vaidosos. Há muita camaradagem no nosso local de trabalho. Graças a Deus!
Ao entrar na minha sala, sou saudado com alegria pelo meu chefe imediato. É um delegado antigo, capacitado, responsável e um profundo conhecedor das coisas de polícia. Já no corredor, havia recebido um cumprimento carinhoso do Diretor. Como disse, o ambiente aqui é de muita amizade. Isto é o que nos torna cada vez mais satisfeitos no trabalho. Além de ganhar muito bem, o ambiente é o melhor possível.
E vem a missão mais importante do dia. Pego o meu colete e verifico que está dentro da validade. Aliás nem precisava verificar, já que temos tudo do bom e do melhor. A viatura é nova e nem precisa de manutenção, outra coisa comum aqui no trabalho.
Mas a missão não é tão simples assim. Trata-se da prisão de um perigoso traficante da região. Mas… Pensando bem: perigoso que nada! A gente nem se preocupa porque os colegas mais novos que também fazem parte da equipe aprenderam tudo na academia, estando completamente qualificados para a missão. Além do mais, o delegado chefe vai com a gente! Ele sempre acompanha a equipe nas missões perigosas. Além de corajoso, ele é um líder e merece todo o nosso respeito.
Após a missão matinal, é hora do almoço. Como todos nós recebemos um – perdão pelo trocadilho – valioso Vale Refeição, evidentemente vamos procurar um restaurante digno da nossa posição. Afinal, nós da Polícia Federal somos Nível Superior e temos os melhores salários entre os servidores das carreiras típicas do Estado.
Ao me despedir da turma, no final da tarde, sou lembrado pelo chefe para não esquecer do happy-hour que o pessoal da delegacia vai fazer na sexta. O nosso ambiente de trabalho é ótimo!
Volto pra casa tranquilo, pois não há congestionamentos na hora do rush. Ligo a TV da sala para ver as notícias. Graças a Deus não vejo nenhuma denúncia contra os nossos governantes. Nada de corrupção e de incompetência. É muito bom saber que os nossos políticos são competentes e que não há corrupção no Brasil. Fico feliz e não vejo a hora de voltar ao trabalho na manhã do outro dia.
Como alguém pode reclamar desse cotidiano?
(Mas, cá pra nós, isto está parecendo coisa de primeiro de Abril!).
Jones Leal é presidente do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal






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