A descoberta de ligações entre contraventores do Rio e a máfia israelense conhecida como Albergil Family em operações de contrabando de carros, lavagem de dinheiro, exploração de máquinas caça-níqueis e tráfico de pedras preciosas, entre outros atos criminosos, torna ainda mais crucial o recurso, pelas autoridades de segurança, a ações integradas entre órgãos de todas as instâncias do poder público para combater o crime organizado. Essa necessidade, de resto, já era evidente pelo estágio a que haviam chegado as relações das quadrilhas fluminenses que exploram o tráfico de drogas, e dos grupos paramilitares, com a criminalidade internacional, para abastecer seus arsenais e ampliar seus “negócios”.
A operação deste fim de semana, em que a Polícia Federal prendeu 13 pessoas – entre elas Yoram El Al, chefe da máfia israelense-, apreendeu carros de luxo e confiscou mais de R$50 milhões em bens e dinheiro, evidencia um preocupante e crescente grau de sofisticação nas ações de grupos criminosos no Rio. Em relação à contravenção fluminense, as investigações da Polícia Federal puxaram a ponta de um fio que liga o crime organizado a pelo menos um nome de peso do banditismo internacional. O israelense preso tem ficha na Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidrogas americana, é procurado em vários países pela Interpol e, no caso específico de sua ligação com bicheiros do Rio, teria planejado, com métodos terroristas, o atentado em que morreu o filho do contraventor Rogério Andrade, um dos chefes das máfias que exploram máquinas caça-níqueis no estado.
É irreal imaginar que se pode enfrentar somente com ações policiais localizadas esse poderio, esse grau de organização e uma espécie de divisão de competências que alimenta internacionalmente as redes criminosas. É fora de dúvida que são importantes para conter a violência programas pontuais de combate à criminalidade, como as UPPs e os movimentos do governo estadual para adotar uma política de segurança que melhore os indicadores de crimes. Mas sem o fundamental recurso a operações integradas, que alcancem as ramificações das quadrilhas em níveis nacional e, confirma-se agora, internacional, de modo a asfixiar os grupos organizados, corre-se o risco de ver solapado todo esse esforço.
Operações de asfixia do crime organizado passam necessariamente, além das ações tópicas, por uma política de controle efetivo de fronteiras, por onde entram armas, drogas e até pessoal arregimentado pelas quadrilhas, e de fiscalização de estradas usadas como rotas de abastecimento dos grupos. A monumental movimentação da PF neste fim de semana mostrou, também, que deve ser cada vez mais afinada a colaboração entre as polícias do país e os organismos internacionais de segurança. Também não se pode prescindir de iniciativas de inteligência e do apoio da Receita Federal. Tudo isso esteve presente nessa operação – clara indicação do caminho a seguir na repressão às quadrilhas que agem no Rio e em todo o país.
Fonte: O Globo






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