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abr 12

Acordos: Impasse sobre apuração além do Congresso adia CPI do Cachoeira

  • 12 de abril de 2012
  • Notícias

Elaine Lina – Diário do Grande ABC

Ao fim de uma longa reunião na Câmara dos Deputados, os parlamentares não conseguiram fechar nesta quarta-feira o texto do requerimento para a criação da chamada CPI do Cachoeira, destinada a investigar os negócios do empresário Carlinhos Cachoeira, preso há mais de um mês acusado de comandar uma rede de jogos ilegais em Goiás. O principal ponto de divergência é a abrangência dos trabalhos: PSDB e DEM querem que a CPI investigue não só parlamentares, mas também outros agentes privados e públicos, inclusive no Executivo. Já o PT defende um “equilíbrio” na definição dos fatos a serem examinados.

As lideranças do PT mostraram divergir entre si: o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), afirmou que o requerimento deveria ficar pronto ainda hoje e que a investigação seria ampla, o que foi negado pelo líder do PT no Senado, Walter Pinheiro. “Estamos nos ajustes finais, ouvindo todas as lideranças para termos um texto que representa a todos e que será aceito sem dificuldade. A coleta de assinatura deve ser iniciada hoje e sem dificuldade”, disse Maia, que ressaltou que a CPI alcançará toda a lista de contatos de Cachoeira. “Não é CPI do Congresso apenas. É investigação de toda a rede de contatos. Inclui Executivo, Judiciário, órgãos privados e alcança até a imprensa. Se tem o nome lá, será investigado. É abrangente”, avisou.

Pinheiro, por sua vez, rechaçou uma CPI abrangente. “É preciso buscar uma lógica de apuração. (…) Não pode ter uma CPI ampla, tem que ter foco e fato determinado, tem que dizer exatamente quais o fatos e a direção que vai trabalhar”, disse o líder.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que o PT quer que a comissão seja “seletiva”, ou seja, direcionada a determinados “alvos”. Maia, que até o início da noite ainda acreditava em acordo, comentou que o requerimento devia ser redigido com cuidado para não limitar o trabalho da comissão ou abrir brechas para questionamentos judiciais das investigações.

O documento que vinha sendo avaliado pelos líderes de PT, PMDB, PSDB e DEM na Câmara até pouco depois das 21h estabelecia que a CPI investigaria “as práticas criminosas desvendadas pela Operação Monte Carlo da Polícia Federal” e também um “esquema de interceptações e monitoramento de comunicações telefônicas e telemáticas”. A comissão seria formada por 15 deputados e 15 senadores e teria 180 dias para realizar seus trabalhos. A ampliação do número de parlamentares na comissão é outra reivindicação da oposição. O líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), argumentou que, se mantido o número regimental (11 senadores e 11 deputados), seu partido só teria um integrante na CPI. Maia respondeu que não haveria obstáculo à ampliação, desde que os partidos chegassem a um acordo.

A definição do texto deve ocorrer na quinta-feira e, se os partidos conseguirem coletar as assinaturas necessárias – pelo menos 27 senadores e 171 deputados -, a CPI deverá ser instalada na próxima semana.

Demóstenes e Carlinhos Cachoeira

Em 6 de março de 2012, o senador Demóstenes Torres (GO) subiu à tribuna para dar explicações sobre as denúncias de sua proximidade com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, descoberta pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que terminou em fevereiro, com a prisão de Cachoeira e de outras 34 pessoas. Demóstenes disse que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido critérios legais. Dez dias depois, o jornal Folha de S.Paulo publicava um relatório do Ministério Público Federal (MPF) que indicava que o grupo comandado por Cachoeira entregou telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, que admitiu ter recebido o aparelho.

O jornal O Globo noticiou, em 23 de março, gravações da PF que flagraram Demóstenes pedindo para Cachoeira lhe pagar R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo e vazando informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes. Em 27 de março, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado para “acompanhar a evolução dos fatos”. No dia seguinte, o Psol entrou com representação contra o parlamentar no Conselho de Ética do Senado e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandovski autorizou a quebra do sigilo bancário de Demóstenes, solicitando ainda um levantamento sobre as emendas e os projetos relatados por ele para saber se Cachoeira, acusado de controlar a máfia dos caça-níqueis e de corromper policiais e políticos em Goiás, foi beneficiado.

Nas gravações, Demóstenes também aparece acertando um suposto lobby pela legalização dos jogos de azar no Congresso em 2009. Em outra conversa, Cachoeira pede ajuda no processo de um delegado e três policiais de Anápolis (GO) acusados de tortura e extorsão. Os dois ainda conversaram sobre um “negócio” milionário na Infraero. Na ocasião, Demóstenes teria se valido da relatoria da CPI do Apagão Aéreo para levantar informações e sondar contratos de informática na estatal.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido decidiu abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda.

Com informações da Agência Senado.

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