MARIANA CARNEIRO – Folha de São Paulo
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse nesta quinta-feira (10) que o resultado da inflação oficial, medida pelo IPCA e divulgada nesta quarta, veio “acima das expectativas do BC”.
“A inflação oficial do Brasil, em março, veio abaixo das nossas expectativas e em abril veio acima das expectativas do BC”, afirmou.
O IPCA acelerou de 0,21% em março para 0,64% em abril. Mas, para Tombini, esse ritmo deverá perder fôlego.
“Nos próximos três meses, [a inflação] será inferior à inflação mensal em abril”, disse. “Estamos num processo de convergência, e nós vamos os acompanhar isso nos próximos meses”.
Tombini observou que a valorização da moeda americana no Brasil ocorre simultaneamente em outros países, o que indica um movimento de fortalecimento internacional do dólar.
“O real, nessa semana, se desvalorizou menos do que o peso mexicano, o dólar neozelandês, o dólar australiano e o rand sul-africano. Ou seja, nesses últimos dias, o que vimos foi um movimento internacional de fortalecimento do dólar, disse.
“Vamos ver onde esse processo internacional se estabiliza. Certamente, no BC, continuaremos avaliando os impactos de todos os fatores econômicos sobre a inflação, inclusive o câmbio”, afirmou.
Mesmo com essa valorização recente, Tombini afirmou que não está nos planos da autoridade monetária voltar atrás em medidas adotadas para evitar a entrada de dólares no país, como a taxação de IOF em captações de até cinco anos.
“O governo certamente tem todos esses instrumentos e, se ajustar, os senhores saberão. No momento, não há nada nesse sentido”, disse.
O presidente do BC voltou a afirmar que não está na lista de preocupações do governo o financiamento da conta externa do país.
“Nesse ano, mesmo com a evolução da economia internacional menos favorável, nós não teremos qualquer dificuldade de financiar nosso balanço de pagamentos”, afirmou.
CRÉDITO
Tombini repetiu o desejo expresso pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) que o crédito cresça mais neste ano.
“Nos momentos de euforia, o crédito não deve crescer exageradamente. Agora, nos momentos em que a economia começa a recuperar é natural que se espere que o crédito acompanhe esse processo. E não que as instituições fiquem excessivamente severas na concessão de crédito. É isso que eu creio que o ministro [Mantega] está falando e esse é o pensamento do Banco Central”, disse. “Ou seja, que o crédito cresça bem quando a economia vai bem e não contraia, não cresça excessivamente devagar quando a economia inicia o processo de recuperação, como é o caso no momento”.
Tombini afirmou que a perspectiva do BC é que os empréstimos cresçam 15% neste ano. E que o crédito a veículos volte a tomar velocidade.
“Em relação à inadimplência, um dos fatores que têm limitado um pouco a expansão do crédito nessa modalidade, ela tende a se estabilizar ao longo do ano. A nossa visão é que com o crescimento maior da economia, no segundo semestre, essa inadimplência recue. Olhando à frente, o crédito tem condições de crescer”, afirmou.
CRESCIMENTO
Tombini afirmou que a perspectiva do BC é que a atividade ganhe força apenas no segundo semestre do ano.
“Nossa economia vai pegar tração ao longo do ano. A economia crescerá mais este ano do que no ano passado. Vai crescer mais no segundo semestre do que no primeiro semestre deste ano”, disse.
Tombini abriu o seminário anual de metas de inflação, patrocinado pelo BC no Rio.






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