Fonte: Correio Braziliense
No Congresso Internacional sobre Drogas, realizado na semana passada em Brasília, um dos temas discutido foi o alastramento do crack pelo país, drama que vem se arrastando nos últimos anos. Hoje, até mesmo nas pequenas cidades do interior, é possível localizar cracolândias. Nos grandes centros, elas crescem a cada dia sem que o poder público possa controlá-las. Tiram-se os usuários das ruas, mas nos dias seguintes eles estão de volta ou o número de viciados nos locais fica cada vez maior.
Nos painéis sobre o mesmo tema, também foram discutidas a forma paliativa e a falta de informações com que o assunto é tratado. Hoje, não apenas pessoas de classe baixa frequentam as cracolândias, mas, como disseram na conferência, os engravatados estão indo lá. Todos falam e se cansaram de ouvir que a pedra da morte também não escolhe idade. E isso também foi discutido no encontro, feliz iniciativa da Universidade de Brasília (UnB) e de dezenas de instituições que trabalham com o tema, inclusive organizações não governamentais. Só faltou a presença dos estados e municípios, os mais atingidos pelo problema.
No debate voltado para a mídia, a falta de estatísticas também foi um dos temas principais quando se trata de drogas. O crack, por exemplo, é entorpecente que passou a ser contabilizado pela polícia há pouco tempo. Antes era taxado apenas por cocaína. Segundo os especialistas, são necessários ao Brasil números para que tenhamos o verdadeiro retrato dessa epidemia que se alastra pelo país. E não temos hoje a dimensão disso.
Pôde-se verificar que, ao realizarem encontro desse porte, as instituições querem dar um passo maior na condução de políticas voltadas para a questão das drogas. Viu-se, ainda, o comprometimento das entidades. Mas também que o entorpecente, principalmente o crack, não deve ser mais tratado como caso de polícia, mas problema social.
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