Enquanto ainda dói na alma do carioca a tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, onde Wellington Menezes de Oliveira matou a tiros 12 crianças (outras cinco permanecem internadas), o Riocentro, na mesma Zona Oeste da cidade, é palco do culto aos armamentos, com a LAAD Defence and Security, maior feira de segurança da América Latina. Enquanto a sociedade clama pelo desarmamento, os cerca de 650 expositores apresentam as últimas novidades em tecnologia bélica, de defesa e armamento.
Entre o último dia 12 e amanhã, cerca de 24 mil pessoas são esperadas. Anteontem, mesmo demonstrando encanto e atração pelas armas expostas, as opiniões sobre o desarmamento estavam divididas.
“O cara de Realengo entregaria sua arma?” Um estande em que são apresentadas armas menores como revólveres, pistolas, fuzis e metralhadoras, atraía a atenção de muitos visitantes. O garçom Emerson Fernandes, de 33 anos, estava radiante ao empunhar uma pistola. Morador na Penha (Zona Norte do Rio), ele justificou sua posição favorável ao desarmamento, apesar da alegria em manusear a arma.
– Minha escola era próxima à Vila Cruzeiro. Cansei de ter aula cancelada por causa de tiroteio – lembrou o ex-aluno do Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade, distante quatro quarteirões da favela. – Como o governo não consegue controlar a venda de armas, imagino que só a proibição resolveria esse problema.Para o segurança pessoal Régis Cristiano Pol, 34 anos, o desarmamento não resolveria o problema. Segundo ele, que atua nos EUA, os cidadãos têm o direito de andar armados.
– É absurdo não poder andar armado aqui no Brasil. Uma idiotice. Já passei por situações em que precisava de uma arma, o que não quer dizer que atiraria, apenas impediria uma violência – lamentou. – O cara de Realengo entregaria sua arma espontaneamente?
O deputado Marcelo Freixo (PSOL) avaliou como “totalmente insensível” a realização da feira. Para ele, que preside a CPI das Armas na Assembleia Legislativa do Rio, faltam “campanhas de incentivo sistemático ao desarmamento, em que a pessoa pode entregar a sua arma e entender que pode estar salvando uma vida”.
– Estamos investigando as fragilidades nos mecanismos de controle, a fiscalização do comércio ilegal, os colecionadores, e as empresas legais. Num momento como esse, uma feira, o que acaba sendo um estímulo à aquisição de armas.
Diretor: a data já estava marcada
Diretor-geral da Clarion Events, responsável pela feira, Sérgio Jardim, lamentou a tragédia de Realengo ter acontecido às vésperas do evento, que é bienal e está em sua 8ª edição.Todavia, para ele, o fato de as crianças terem sido mortas por uma arma de fogo não tem relação direta com a feira.
– São coisas distintas. A feira trata de defesa das nações. O foco são forças armadas e policiais.
As armas são menos de 1% do material exposto.






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