Uma das suspeitas dos delegados encarregados do inquérito é que escuta clandestina tenha sido feita por funcionários de telefônicas
A Polícia Federal realizou ontem buscas e apreensões nos escritórios das empresas de telefonia Vivo e Brasil Telecom,
Os investigadores não informaram os motivos que levaram à busca e nem o que foi apreendido. A apuração corre em segredo de Justiça, mas segue três linhas, sendo que uma delas é a possibilidade de as escutas terem sido feitas por servidores de telefônicas.
A principal suspeita pelas escutas clandestinas, no entanto, recai sobre a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que cedeu mais de 50 agentes para a Operação Satiagraha, desencadeada pela Polícia Federal em julho, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas. A PF está investigando a possibilidade de os grampos terem sido feitos durante a fase investigativa da ação policial, mas trabalha também com a hipótese de que as interceptações tenham saído do Senado, já que o diálogo vazado teria ocorrido entre Gilmar e o senador Demostenes Torres (DEM-GO).
As buscas e apreensões realizadas ontem aconteceram nos escritórios regionais da Vivo e Brasil Telecom no Setor Comercial Sul. As empresas confirmaram a ação da Polícia Federal, mas não quiseram comentar o fato, alegando que as investigações correm sob sigilo. A PF também não quis detalhar a operação, que foi feita durante o dia, nem revelou que materiais teriam colhido. Os delegados Berredo e Morad não foram encontrados. As duas telefônicas também não sabiam o que foi levado pelos agentes federais. Fontes da PF disseram que, provavelmente, foram coletados equipamentos usados em escutas que as empresas realizam para a polícia, com autorização judicial.
Maletas
Desde a instauração do inquérito, em 1º de setembro, a PF já fez buscas em diversas repartições públicas, inclusive na Abin. Além disso, recolheu equipamentos de varreduras eletrônicas que a agência tinha em seu poder. Uma perícia da própria polícia mostrou que, da forma em que as maletas foram apresentadas, não havia possibilidade de os aparelhos realizar escutas. Os exames foram pedidos pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a quem a Abin está ligada. O Comando do Exército também emitiu parecer sobre os equipamentos, observando que apenas com modificações eles poderiam ser usados em interceptações.
O inquérito da PF foi prorrogado por mais 30 dias para que as investigações prossigam. As três linhas de apuração não deram aos delegados, na primeira fase, nenhum novo rumo ao caso. Até que tudo seja esclarecido, o diretor da Abin, Paulo Lacerda, ficará afastado de suas funções, assim como outros dois dirigentes e um assessor da instituição. O vazamento dos grampos com as conversas de Gilmar e Demostenes quase causou uma grande crise entre os três poderes, mas uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros do STF e senadores amenizou o clima.
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