Fonte: Agência Fenapef
Uma matéria publicada no conceituado jornal potiguar Tribuna do Norte, sob o título “Drogas Entram com Facilidade no RN”, noticiou que o número de apreensões de drogas caiu drasticamente no Estado, em percentuais superiores a 70%. Questionado sobre os possíveis motivos desse vertiginoso declínio, o Departamento de Polícia Federal não teria apresentado nenhuma “explicação técnica”. (Link: http://tribunadonorte.com.br/noticia/drogas-entram-com-facilidade-no-rn/251842)
Felizmente, a Federação Nacional dos Policiais Federais pode dar essa satisfação para a sociedade.
O Brasil mudou, a população aumentou e o perfil do tipo violência e consumo de entorpecentes também. Hoje há mais variedades nos tipos de drogas, mais facilidade na comunicação para que ocorra a logística de tráfico, e equipamentos cada vez mais ousados e modernos à disposição dos criminosos.
Enquanto o crime evoluiu, a Polícia Federal ficou estagnada. Enquanto os criminosos estão cada vez mais unidos, a Polícia Federal está cada vez mais dividida. Cada dia é mais evidente o mau gerenciamento do Órgão e, em especial, uma política de Gestão de Pessoal que segrega e impõe limites ao crescimento profissional dos cargos de formação acadêmica multidisciplinar (agentes, escrivães e papiloscopistas).
É lamentável a omissão do órgão em momentos importantes, como no reconhecimento do nível superior de todos os cargos e nas discussões de reestruturação salarial e de carreira. Eventos que deveriam ser formalizados em grupos de trabalho democráticos, buscando um interesse comum de profissionalização, com a participação de todos, transformam-se em processos desconexos, demorados e obscuros, reflexos de uma insistente e equivocada postura adotada pelas recentes administrações.
Com o monopólio da estrutura gerencial do Órgão, grupos que representam apenas os dois cargos historicamente privilegiados se organizam cada vez mais e avançam em pleitos corporativistas, que em nada contribuem para o resgate da estrutura de combate ao crime e, ao contrário, geram na grande base de policiais mais desânimo e vontade de abandonar a carreira policial, em busca de melhores horizontes.
E a postura do Governo? Consciente de tudo isso, o Governo Federal permaneceu quase inerte e não ofereceu soluções para evitar que a Polícia Federal se tornasse um caos. O efetivo policial e administrativo, que já é reduzido, padece de um processo de evasão crescente, motivado exclusivamente pela falta de estrutura, de motivação, de previsão de crescimento profissional e de salários compatíveis com as peculiaridades da carreira.
O mais verdadeiro índice de eficiência policial é a redução da taxa de criminalidade. E certamente, se “drogas entram com facilidade no RN”, esse aumento reflete uma polícia federal sucateada, onde não há crescimento profissional, nem valorização dos profissionais que ajudaram na construção de uma Polícia Federal que costumava ser atuante, famosa e bem conceituada.
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