FELIPE SELIGMAN, Folha de São Paulo
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa afirmou nesta quarta-feira (18) que seu colega e presidente da corte, Cezar Peluso, “se acha” e “tentou criar” obstáculos à corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Eliana Calmon.
A declaração, dada a jornalistas depois da posse de outra ministra, Carmem Lúcia, na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foi uma resposta ao que disse Peluso em entrevista ao site Consultor Jurídico.
Contrariando tradição, Peluso não recebe homenagem no STF
Nela, o atual presidente, que deixa amanhã o cargo, citou Barbosa ao dizer que quando a denúncia do mensalão foi aceita, em 2007, ele chegou a ser aplaudido em um bar no Rio e pensou em tomar um rumo político.
Ao mesmo site, Peluso criticou a presidente Dilma Rousseff (dizendo que ela descumpriu decisão judicial sobre o aumento dos salários do Judiciário) e Calmon, dizendo que ela também pode ter pretensões políticas e não apresentou “resultado concreto algum”.
“O Peluso se acha. Ele não sabe perder. A Eliana [Calmon] ganhou todas. E ele diz que ela não fez. E ela fez muito, não obstante os inúmeros obstáculos que ele tentou criar”, afirmou Barbosa.
Perguntado sobre seus supostos planos políticos, disse: “Eles [que aventam a possibilidade] que sabem. Estão inventando essa história. Jamais falei com qualquer pessoa sobre candidatura.”
Segundo Barbosa, “na verdade, ele [Peluso] tem uma amargura. Em relação a mim, então…”.
A troca de farpas piora o clima no Supremo quando a corte se prepara para julgar o processo do mensalão. Recentemente, outros dois ministros (Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto) vieram a público dizer que o revisor da ação, Ricardo Lewandowski, deve acelerar sua análise do processo para que ele possa ser votado. Ayres Britto toma posse nesta quinta como presidente do STF.






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