Fonte: Correio Braziliense
Terminais bancáriosinstalados no parlamento tiveram dados roubados por aparelhos chupa-cabras,mesmo com o alto investimento da Casa em policiamento
Apesar de contar com um contingente de cerca de 200 agentesda polícia legislativa e distribuição de dezenas de câmeras de segurança —ligadas 24 horas —, a Câmara não conseguiu conter a atuação de integrantes deuma suposta quadrilha de estelionatários que vinham agindo livremente noscorredores da Casa. Os golpistas furaram o bloqueio de segurança e conseguiramcoletar informações de clientes dos terminais de autoatendimento de bancos. Deacordo com servidores ouvidos pelo Correio, pelo menos uma pessoa foi lesadacom o esquema.
O alvo da ação foram os terminais da Caixa Econômica Federal(CEF) instalados no corredor das Comissões Temáticas, no Anexo II da Câmara. Asmáquinas são utilizadas por centenas de pessoas, entre servidores, visitantes eaté parlamentares. A ação dos golpistas chama a atenção principalmente porque,nos locais destinados aos pontos de atendimento dos bancos na Casa,normalmente, são disponibilizadas duas câmeras de vigilância.
Os golpistas, no entanto, conseguiram furar o bloqueio desegurança e instalar nos terminais um sistema conhecido como”chupa-cabra”. O mecanismo é acionado quando o cliente insere ocartão de crédito na máquina. Nos momentos seguintes, os dados são capturados earmazenados. O sistema também conta com uma microcâmera colocada nas lateraisdos terminais que registra o momento em que a pessoa digita as senhas. Segundoservidores da Câmara, os golpistas passavam no fim do dia ou no início da manhãnos terminais para resgatar as informações. De posse dos dados, clonavam ocartão de crédito do cliente.
O golpe foi identificado inicialmente por funcionários daCaixa Econômica, que acionaram o Departamento de Polícia da Câmara (Depol), dia13. Na mesma data, foi aberta uma ocorrência policial interna para apurar oesquema. Durante os cinco dias posteriores, uma “campana” com agentesdisfarçados e monitoramento por meio do sistema de câmera tentou flagrar oscriminosos. As imagens registraram dois homens — com idade entre 20 e 30 anos —agindo de forma suspeita nos terminais. Apesar da identificação dos possíveisgolpistas, os agentes da Câmara não conseguiram pegá-los em flagrante. Casosejam detidos, os infratores podem ser enquadrados por crime de fraude e estelionato.
Alvo recorrente
Em comunicado encaminhado na manhã de ontem aos servidoresda Câmara, o Depol tornou público o episódio que, atualmente, faz parte de uminquérito. “O Depol informa que os suspeitos do golpe foram identificadose a Coordenação de Polícia Judiciária continua com as apurações a fim deproduzir provas que levem ao indiciamento dos autores. O departamento ressaltaa importância do controle de acesso da Casa para a elucidação do crime, eaproveita a oportunidade para agradecer a colaboração de todos no uso daidentificação funcional”, diz trecho do comunicado.
Essa não é a primeira vez que a Câmara se torna alvo degolpistas com foco nos terminais dos bancos. No primeiro semestre do anopassado, o episódio se repetiu pelo menos três vezes. No mês de março, um homemfoi flagrado após retirar um aparelho “chupa-cabra” de uma dasmáquinas, no interior da Casa. Com ele, estavam dois comparsas que foramdetidos pela polícia legislativa. Na ocasião, nenhum cliente foi lesado.
Memória
Assalto a lanchonete
A ação de golpistas nos terminais dos bancos da Câmaraocorreu um mês depois de uma das lanchonetes da Casa ser assaltada. O montanteroubado chegou a R$ 12 mil em moedas. O roubo ocorreu na madrugada de 13 dejaneiro. Os funcionários encontraram o armário arrombado e uma janela abertapor onde os ladrões teriam entrado. O roubo aconteceu no Anexo III, onde tambémficam localizados parte dos gabinetes dos deputados. Diante da”fragilidade” e “vulnerabilidade” da área de segurança, aCâmara, conforme adiantou o Correio, iniciou o processo de contratação de mais169 vigilantes. Atualmente, a Casa conta com um contigente de 79 vigilantes ecerca de 200 agentes da Polícia Legislativa. Do total de novos funcionários queserão contratados, 62 terão o direito de portar revolver calibre .38. Além daarma de fogo, faz parte do aparato de segurança o uso de cassetetes e algemas.






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