Terapia contra estresse, dependência química, obesidade, depressão e fobia, a hipnose passou a ser uma arma a mais da polícia na investigação de crimes graves. O objetivo é fazer vítimas e testemunhas de sequestros, assaltos e estupros lembrarem cenas cruciais perdidas no subconsciente.
Em janeiro, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa, de São Paulo, criou, na capital, um laboratório de hipnose forense, ligado às investigações. E a Secretaria de Segurança Pública do Rio estuda adotar a técnica a partir do ano que vem. Unidades especializadas, como a Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) e a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) já têm, inclusive, ajuda de psicólogos.
Especialistas garantem a eficácia das técnicas
O delegado Fábio Corsino, da Decav. apóia a iniciativa.
– Seria interessante adotar a hipnose. Toda ferramenta que ajude a polícia a elucidar cri-
mes é válida. Psicólogo da Deam, Sérgio Dias, concorda.
– O trauma leva a pessoa a querer apagar da mente aquilo que sofreu, como é comum acontecer com mulheres vítimas agressão ou estupro. Especialistas no assunto também recomendam que a hipnose seja utilizada pela polícia do Rio. Hipnoterapeuta e professor de pós-graduação em hipnose, o médico Gilberto Barros, por exemplo, é partidário da ideia, e vai além: defende que toda a polícia do país adote a prática.
– Em poucos minutos, a téc-nica põe o paciente em transe, quebra a barreira do trauma e o faz lembrar de cenas que podem ser fundamentais numa investigação, o que seria impossível com a vítima no esta- do normal – explica Barros, comparando o subconsciente a um HD de computador que, quando acionado, resgata informações. Professor do curso de hipnose do Instituto de Neurolinguística Aplicada (INAp), no Flamengo, Barros lembra que a pessoa não dorme na hipnose.
– Ela tem um relaxamento muscular de 20 minutos, que torna seu inconsciente suscetível a aceitar sugestões.
Diretora da Sociedade de Hipnose Médica do Estado do Rio de Janeiro (Sohimed) e psicóloga especializada em hipnose clínica, Miriam Pontes de Farias garante que a técnica será de grande valia nas investigações.
– As vítimas sofrem do estresse pós-traumático e não lembram detalhes importantes para não reviverem aquele momento de medo ou dor – entende Miriam. – Mas a hipnose diminui o medo e faz a pessoa lembrar, por exemplo, a placa de um carro ou o rosto de um bandido, ajudando na confecção de um retrato falado. Diretor do INAp, o médico Jairo Mancilhas esclarece que ahipnose é um estado alterado de consciência ou percepção, de profundo relaxamento, onde o consciente e o inconsciente são focalizados por ficarem receptivos à sugestão terapêutica.
– A hipnose melhora a saúde, a aprendizagem, eleva a auto-estima e até regulariza a vida espiritual da pessoa. É um processo seguro.






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